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LIVRO JUDAICO DOS PORQUÊS

Alfred J. Kolatch, Editora Sêfer, 346 páginas (14×21 cm, capa flexível), ISBN 85-85583-04-5, 1998 (5ª Edição)

Este best-seller explora cerca de 500 questões básicas sobre o judaísmo. Em uma linguagem simples e directa, o rabino Alfred J. Kolatch explica em que os judeus acreditam, como eles observam as suas festividades, qual é o significado dos seus costumes e cerimónias, e quais as diferenças entre as correntes religiosas.

Entre as perguntas respondidas encontram-se:

  • Porque um filho de pai judeu não é necessariamente judeu?
  • Porque os Meninos são circuncidados?
  • Porque se quebra um copo na cerimónia do casamento?
  • Porque porco e camarão não são casher?
  • Porque os judeus comem guefilte fish no Shabat?

O Livro Judaico dos Porquês traz uma importante contribuição para desmistificar muitos dos mal-entendidos e conceitos erróneos que envolvem a observância judaica. Tanto os judeus como os não judeus acharão este livro esclarecedor.

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“Ao longo dos anos, Têm surgido diversos livros que descrevem a vida judaica – suas leis, seus costumes e suas cerimónias. A maioria se dedica a uma exposição de regras de conduta mas poucos, se é que algum deles, dedicam-se a explicar o porquê de certas leis, costumes e cerimónias.

O Livro Judaico dos Porquês não aconselha aos judeus como conduzir suas vidas. Ele não é um livro de Halachá – de lei judaica. Este livro tem como único intuito explicar o raciocínio existente por trás dos costumes seguidos.”

Alfred J. Kolatch

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Sobre o Autor:

O Rabino Alfred J. Kolatch é formado pelo Seminário para Professores e pela Faculdade de Ciências Humanas da Yeshiva University, foi ordenado rabino pelo Jewish Theological Seminary of America, recebendo em seguida o Título Doutor Honoris Causa em Teologia. De 1941 a 1948 exerceu a função de rabina das congregações de Columbia, Carolina do Sul, Kew Gardens e Nova York, e como rabino do exército dos Estados Unidos. Em 1948, fundou a Jonathan David Publishers, onde ocupa o cargo de director-presidente.

MASMORRAS DA INQUISIÇÃO

Memórias de António José da Silva, O Judeu (Romance Histórico)

Isolina Bresolin Vianna, Editora Sêfer, 144 páginas (14×21 cm, brochura), ISBN 85-85583-07-x, 1997

Embora classificado como romance Masmorras da Inquisição – Memórias de António José da Silva, o Judeu, apoia-se sobre factos e documentos históricos, entre eles os autos do processo de António José. Nada foi inventado ou falsificado. O que ali está é a triste e dura verdade configurada naqueles depoimentos, todos verdadeiros na sua essência.

É verdade que um gesto de amor livrou-o da morte infamante pelo garrote e da tortura da fogueira inquisitorial, como é verdade que ele sempre foi muito amado, querido e admirado, mas, infelizmente, também muito invejado, uma das causas prováveis da sua injusta morte.

António José da Silva, o Judeu, foi uma das mais ilustres vítimas da Inquisição, sacrificado pela “culpa de não ter culpa”.

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A Ficção histórica não antagoniza os factos históricos, ao contrário, desperta o interesse, mobiliza as atenções e abre caminhos para novas pesquisas e descobertas.

A peça teatral “António José, ou o Poeta e a Inquisição” de Domingos José Gonçalves de Magalhães (1983) abriu o caminho para o romance histórico “O Judeu” de Camilo Castello Branco (1866), que estimulou a publicação de uma parte da documentação inquisitorial do comediógrafo brasileiro (Revista do IHGB, Tomo LIX, 1896) que, por sua vez, levou Teófilo Braga, o primeiro Presidente da República Portuguesa, ao opúsculo “O Mártir da Inquisição Portuguesa” (1910).

António Baião avançou com novas pesquisas em “Episódios Dramáticos da Inquisição Portuguesa (2º volume, 1924) que, finalmente, desembocaram no trabalho seminal de J. Lúcio Azevedo, em “Novas Epanáforas” (1932).

A listagem, evidentemente incompleta, não poderia deixar de registar a narrativa dramática de Bernardo Santareno, “O Judeu” (1968), a monumental pesquisa académica de José de Oliveira Barata, “António José da Silva, Criação e Realidade” (1983) e o filme “O Judeu” de Jom Tob Azulay (1988-1996).

Ao longo da história da cultura percebe-se, nítida, uma interpelação e interlocução entre narração e conhecimento, entre facto e ficção, entre criação e realidade que, longe de se excluírem, acrescentam-se num processo vital, de grande riqueza. Esta memórias ficcionais, “Masmorras da Inquisição“, da historiadora Isolina Bresolin Vianna, são o mais novo elo de um fertilíssimo encadeamento que está longe de ser concluído.

Alberto Dines, autor da monumental obra “Vínculos do Fogo”, Companhia das Letras, 1992.

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Sobre a Autora:

Isolina Bresolin Vianna nasceu em Piratininga (São Paulo) em 1927. Doutorou-se pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras do Sagrado Coração de Jesus (Bauru – SP) por delegação da USP. Sua tese “António José da Silva, o Judeu e as Obras do Diabinho da Mão Furada”, que originou o presente livro, foi apresentada no I Congresso Internacional sobre a Inquisição, promovido pela FFLCHC da USP, em Maio de 1987, e na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (Portugal), em Outubro de 1991. Ocupa a cadeira 12 na Academia Bauruense de Letras.

A Ética da Responsabilidade

Rabino Jonathan Sacks, Editora Sêfer, 360 páginas (16×23 cm, capa flexível), ISBN 85-85583-86-6, 2007

A única coisa que se iguala ao fundamentalismo do ódio é um contra-fundamentalismo de amor.

O Rabino Jonathan Sacks é uma das maiores autoridades contemporâneas em moral e autor de Uma Letra da Torá, publicado no Brasil pela Editora Sêfer.

Um dos conceitos mais característicos e polémicos do judaísmo é sua ética da responsabilidade. Porque recebemos a dádiva da liberdade, é nosso dever honrar e engrandecer a liberdade dos outros. Nenhuma outra geração foi tão estimulada a acreditar que a única fonte de significado é a satisfação das necessidades individuais.

O Rabino Sacks mostra aqui o profundo engano contido nessa crença. A ética diz respeito à vida que vivemos em conjunto, ao bem que só existe quando compartilhado.

A argumentação construída pelo Rabino Sacks expõe a dimensão do seu comprometimento com a condição humana e reflecte a riqueza do seu conhecimento. Ele fala de Sigmund Freud ou Karl Marx com a mesma autoridade com que cita e comenta a Bíblia Hebraica (Tanach). Para Curar um Mundo Fracturado é seu chamado à sociedade para que caia em si, para que volte à razão.

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O Mundialmente reconhecido Rabino-Chefe Dr. Jonathan Sacks tem voltado a sua atenção à responsabilidade e ética judaicas. Através de histórias sobre pessoas normais que agem com um diferencial humano singular, ele explica o poder, a responsabilidade e as origens das boas acções pelas várias perspectivas do judaísmo.

De acordo com o Rabino Sacks, Deus criou o mundo imperfeito para que nós terminássemos Sua obra. Ao nos presentear com esta linda obra, certamente o Rabino está a fazer a sua parte.

Por esta razão, é um prazer e uma honra apoiar a publicação deste livro em português e participar da grande aventura intelectual e emocional contida nessas páginas.

United Medical

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“Ser humano significa ser consciente e ser responsável.”

Viktor Frankl

“Quando eu era jovem, queria mudar o mundo. Tentei, mas o mundo não mudou. Tentei mudar a minha cidade, mas a cidade não mudou. Tentei mudar a minha família, mas a minha família não mudou. Então, eu soube: primeiro, eu deveria mudar a mim mesmo.”

Rabino Israel Salanter

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Sobre o Autor:

O Rabino Jonathan Sacks é, desde 1991, Rabino-Chefe da Grã-bretanha e Comunidade Britânica. Educado em Cambridge e Oxford, leccionou em universidades e liderou congregações na Inglaterra, em Israel e nos Estados Unidos. Autor de vários livros, entre eles “Arguments for the Sake of Heaven” e “The Politics of Hope”, ele vive em Londres, Inglaterra.

MEDITAÇÃO E CABALÁ


Teoria e Prática

Rabino Aryeh Kaplan, Editora Sêfer, 364 páginas (16×23 cm, capa flexível), ISBN 85-85583-50-9, 2005

Meditação e Cabalá demonstra claramente como muitas técnicas meditativas consideradas hoje avançadas já eram usadas pelos antigos cabalistas judeus. A obra apresenta-as detalhadamente e explora seu desenvolvimento com rara profundidade.

A Cabalá está dividida em 3 áreas distintas: a teórica, a meditativa e a mágica. Enquanto inúmeros livros exploram seu aspecto teórico, é praticamente impossível encontrar alguma obra em português que fale dos métodos meditativos desta escola milenar, quase secreta.

Este livro revela, pela primeira vez, a metodologia dos antigos cabalistas com ênfase nas técnicas meditativas desses gigantes espirituais da humanidade.

O Rabino Aryeh Kaplan oferece uma lúcida apresentação dos mantras, mandalas e demais dispositivos usados por esses grupos, assim como interpretações profundas sobre seus significados à luz das pesquisas contemporâneas sobre a meditação.

Além disso, Meditação e Cabalá brinda os leitores com relevantes e amplos trechos de obras cabalísticas milenares, entre elas o lendário “Zohar – O livro do Esplendor”, “Os grandes Hechalot” (texto básico da escola da Mercabá), “Vida do Mundo futuro” de Abraham Abuláfia, “Portões da Santidade” de Josef Gikatalia, alguns “Portões da Inspiração Divina” da escola luriânica, textos secretos de grandes cabalistas e os mais relevantes textos dos mestres chassídicos sobre devoção e meditação – todos inéditos em português!

O livro investiga a intrigante possibilidade – sugerida pelo Zohar – de que as técnicas meditativas orientais seriam derivadas das técnicas místicas dos profetas da Bíblia Hebraica.

Sobre o Autor:

O Rabino Aryeh Kaplan foi um mundialmente famoso erudito da Torá que produziu mais de cinquenta livros em sua breve vida, entre eles Meditation and Bible, Sêfer Ietsirá – O Livro da Criação e O Bahir.

As obras de Kaplan incluem comentários e traduções de antigas e obscuras obras de eruditas bíblicos e cabalistas, assim como livros aconselhando jovens judeus sobre os méritos do estudo e observância da Torá. Durante um período foi editor da revista Jewish Life, traduziu um enorme comentário sobre a Torá da autoria do Rabino Sefaradi Iaacov Culi e produziu uma original tradução/comentário dos Cinco Livros de Moisés, que chamou de Torá Viva.

Aryeh Kaplan nasceu no Bronx, Nova Iorque, estudou na Yeshivá local e continuou sua educação em Yeshivot de Israel. Durante um tempo entrou no campo da ciência e foi, por um breve período, o mais jovem físico empregado pelo governo dos Estados Unidos antes de devotar sua vida ao estudo da Torá. O Rabino Aryeh Kaplan faleceu aos 48 anos, em 1983.


Jean-Michel Lecomte, prefácio à edição portuguesa por Esther Mucznik, Via Occidentalis Editora (Portugal), 232 páginas, ISBN 978-972-8966-15-7, 2007, nas livrarias.

Publicado no âmbito do projecto do Conselho da Europa intitulado “Aprender a ensinar a História da Europa do séc. XX”, este livro de Jean-Michel Lecomte dirige-se, em especial, aos professores, e procura adaptar a forma de ensinar a História aos desafios que a modernidade lhe coloca.

Recomendado pelo Conselho da Europa e com prefácio da prestigiada investigadora em assuntos judaicos, Esther Mucznik, esta obra de Jean-Michel Lecomte procura reflectir sobre o importante lugar do ensino do Holocausto, num quadro de ressurgimento do anti-semitismo em algumas partes da Europa, da acessibilidade de sites negacionistas na Internet e da posição isolacionista actualmente adoptada por alguns dirigentes políticos europeus, que fazem desta temática um assunto que ultrapassa largamente os limites da História enquanto disciplina escolar.

Baseado em trabalhos de autores incontestados como Raul Hilberg, Sir Martin Gilbert, Saul Friedlander e Christopher Browning, e nos testemunhos directos de Primo Levi, Hermann Langbein e de pessoas entrevistadas por Claude Lanzmann, Ensinar o Holocausto no século XXI propõe aos seus leitores privilegiados (público em geral, alunos, pais e professores) um conjunto de conhecimentos únicos, colmatando, em certos casos, a falta de informação sobre esta matéria tão sensível.

A abordagem de Lecomte procura alargar a definição do Holocausto para além do anti-semitismo, destacando factos e números relativos às vítimas frequentemente esquecidas: os romenos/ciganos, os homossexuais e as testemunhas de Jeová, e fornece também importantes informações acerca da natureza e a execução do genocídio em diferentes países.

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Comentário sobre esta obra:

“Ensinar o Holocausto no Século XXI” de Jean-Michel Lecomte, com prefácio de Esther Mucznik (Via Occidentalis, 2007) é uma obra de valor pedagógico promovida pelo Conselho da Europa que nos alerta para a importância de cuidar da memória de modo a prevenir a intolerância, a cegueira e a barbárie com que o mundo se confrontou no século XX, num tempo que muitos anunciavam de paz e de entendimento.

NÃO HÁ HISTÓRIA MAIS DIFÍCIL… – Hannah Arendt disse que “não há história mais difícil de contar em toda a história da Humanidade” do que a do “Holocausto”. E porquê? “Em primeiro lugar pelo sofrimento intenso de um povo, estilhaçando com fragor insuportável os limites do entendimento humano” – diz-nos Esther Mucznik. “Até hoje, o genocídio nazi, programado, sistemático e colectivo permanece para a civilização humana como a referência ética do mal absoluto”. Mas como foi tudo isto possível, quando ninguém esperava? E como foi possível que acontecesse a partir de um país de arte e de cultura? O certo é que tudo aconteceu de um modo sistemático e terrível. Daí que a obra agora saída corresponda à procura de uma consciência moral e cívica que possa contrapor o respeito ao ressentimento e a liberdade à servidão. Nesse sentido, o projecto do Conselho da Europa visa “suscitar o interesse dos jovens pela história recente do nosso continente e ajudá-los a estabelecer ligações entre as razões históricas e os desafios com os quais estão confrontados na Europa actual”. Está em causa a ajuda à criação de uma identificação europeia, o desenvolvimento da análise crítica, a sensibilização para a importância da diferença e do outro e o encorajamento aos professores para lançarem as bases de “um ensino europeu da história”. A dimensão europeia na Educação passa, assim, por um melhor conhecimento da realidade, de tragédia, de diálogo e de conflito, que nos antecedeu, com todas as suas implicações. O estudo da “Shoah” (expressão que significa “catástrofe” e que é utilizada para designar o genocídio perpetrado pelos nazis e seus aliados contra os judeus) e do “Holocausto” (sacrifício) deve, no fundo, permitir-nos ir além das apreciações simplistas ou do mero culto do ressentimento. É essencial entender as fontes da banalização do mal, para que, no futuro, possamos prevenir a sua ocorrência. De facto, entre o excesso de memória e a sua ausência, temos de encontrar um equilíbrio que permita não esquecer, sem fazer da lembrança um motivo de vingança.

APRENDER COM OS FACTOS – Ao longo de 50 fichas elaboradas criteriosamente, podemos obter uma informação bastante rigorosa e circunstanciada sobre o judaísmo, sobre a doutrina nazi, sobre os campos de concentração, sobre as perseguições (também dos Rom/Ciganos e dos homossexuais), sobre a decisão de extermínio, sobre as câmaras de gás e a cremação das vítimas, sobre os campos de extermínio (Auschwitz-Birkenau, Belzec, Chelmno, Lublin-Maidanek, Sobibor, Treblinka); sobre os “sonderkommandos” (encarregados das operações nos campos de morte – desde a preparação para as câmaras de gás até aos fornos crematórios); sobre a situação nos diversos países afectados; sobre as reacções dos judeus; sobre “os justos” (que ajudaram o povo judaico durante a Shoah); sobre as opções dos Aliados; sobre o número de mortos (cerca de 6 milhões de judeus); sobre o regresso dos sobreviventes; sobre o silêncio; sobre o revisionismo e o negacionismo; sobre a filmografia do tema e sobre os sítios na Internet. Trata-se de um conjunto de informações sobre o inominável e o injustificável. Como entender tanta cegueira e tanta desumanidade? E como interpretar os resultados da discricionariedade pura? E fica a afirmação de Primo Levi que “menciona um conjunto de ‘pequenas razões’, pequenas partículas de humanidade que se juntaram e que conduziram à sua sobrevivência – por outras palavras, uma sucessão de pequenos pedaços de sorte, de acontecimentos fortuitos”. Por outro lado, fica a realidade insofismável que hoje não pode sofrer contestação: “apesar do reduzido número de sobreviventes, foram registados muitos testemunhos, o que nos leva a considerar por que razão todos contaram o mesmo e por que razão não existem quaisquer provas do contrário”.

A DIFICULDADE DA MENSAGEM – À medida que o tempo passa, atenua-se, contudo, o impacto do drama real e prevalece a ideia mítica ora dos actos heróicos de resistência ora do carácter difuso da culpa e da responsabilidade. No entanto, mais do que os mitos, o que importa é fixar a actualidade do tema e o risco da repetição de acontecimentos tão terríveis e dramáticos. Daí que nas orientações dadas aos professores, no âmbito deste projecto educativo, haja muitas vezes dúvidas e hesitações sobre a eficácia menor ou maior da utilização de determinado exemplo ou instrumento. De facto, temos de contar com a “dificuldade da mensagem” e com o facto de ela ter tudo a ver com a construção de uma sociedade mais humana, onde os direitos, as liberdades, as garantias e a responsabilidade pessoal têm de ter um lugar cimeiro. E se nos lembrarmos do exemplo de Janusz Korczak no gueto de Varsóvia vemos que o melhor método educativo é o da prática e do exemplo: “desenvolveu um sistema de organização democrática dos orfanatos – as crianças eram tratadas como indivíduos com plenos direitos e tomavam parte na administração da comunidade”.

DEVER DE MEMÓRIA? – Tzvetan Todorov afirmou que «les enjeux de la mémoire sont trop grands pour être laissés à l’enthousiasme ou à la colère» (Les Abus de la Mémoire, Arléa, 1995, p. 14). Esta é a preocupação fundamental que temos de preservar, a fim de que não haja interpretações unilaterais e abusivas sobre a memória. O dever de memória obriga ao rigor crítico e a prestar justiça – o que também leva à necessidade de compreender as circunstâncias da história para além da vitimação e da ameaça. O entusiasmo e a cólera levam à incompreensão de que a memória se refere à humanidade, e de que, nesse sentido, tem de apelar permanentemente à capacidade de compreender e de nos pormos no lugar do outro.

In http://via-occidentalis.blogs.sapo.pt/,

Guilherme d’Oliveira Martins

Carsten L. Wilke, Edições 70 (Portugal), Colecção Lugar da História, 247 páginas, ISBN 9789724415789, 2009, já nas Livrarias!

Portugal tem um olhar único sobre a história judaica. No imaginário nacional, o judaísmo pertence não apenas à sua tradição cultural, mas também à sua genealogia. Na época medieval, os monarcas portugueses garantiram aos judeus mais protecção e segurança do que qualquer outro país europeu.

A entrada de Portugal na era moderna fez-se, porém, no decurso de um processo de «cristianização» violenta de toda a sua vasta comunidade judaica, e os descendentes desta, quando não puderam, ou quiseram, sobreviver como judeus no exílio, misturaram-se em grande número ao resto da população. Os que se exilaram e vieram a fundar, ou desenvolver, dezenas das mais dinâmicas comunidades judaicas do mundo moderno, nem por isso deixaram de reivindicar além-fronteiras a identidade contraditória de «judeus do desterro de Portugal».

Há mais de um século que esta história complexa e absolutamente singular apaixona estudiosos dos mais variados ramos do saber, dentro e fora de Portugal. E se hoje os aspectos parcelares de dois milénios de civilização judeo-portuguesa estão amplamente estudados, são também dos mais mal resumidos, o que explica que sejam tão mal conhecidos fora dos círculos especializados. A presente síntese vem colmatar essa lacuna.

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Sobre o autor:

Carsten L. Wilke é doutor em Estudos Judaicos pela Universidade de Colónia e estudou na Escola Prática de Altos Estudos de Paris. Foi professor nas universidades de Heidelberg, Düsseldorf e Bruxelas, e é actualmente investigador no Instituto Steinheim de História Judaica Alemã, em Duisburg. Autor de numerosos livros e artigos, Carsten Wilke tem-se dedicado ao estudo das transformações vividas pelo judaísmo europeu, desde o criptojudaísmo do Renascimento ibérico até o modernismo rabínico do século XIX.


Coordenação de: Lúcia Mucznik, José Alberto Tavim, Esther Mucznik e Elvira de Azevedo Mea, Editoral Presença (Portugal), 584 páginas, já nas Livrarias!

O Dicionário do Judaísmo Português tem o objectivo de reunir e divulgar de forma sintética o conhecimento actual sobre a presença judaica em Portugal e dos judeus de origem portuguesa no mundo. O universo da obra tem como marcas temporais o estabelecimento de judeus no território que é hoje Portugal, desde o século V até ao presente, passando pela diáspora que os levou aos quatro cantos do mundo. Os artigos são da responsabilidade de mais de sessenta especialistas. Inédita em Portugal, é uma obra ao mesmo tempo rigorosa, abrangente e de fácil consulta, simultaneamente um instrumento de referência para os investigadores e de divulgação para o público em geral.

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Factos e histórias sobre a presença judaica em Portugal reunidos num dicionário completo.

Qual a origem do termo «sefardita»? E o que significa? O que é o marranismo e quando surgiu? O adjectivo «marrano» tem uma conotação depreciativa? Quem eram os abafadores a que Miguel Torga se refere em Novos Contos da Montanha? Que língua é o ladino? Sabia que a palavra «alheira» apareceu pela primeira vez dicionarizada, com o sentido que hoje lhe conhecemos, apenas em 1949 apesar de a sua «invenção» já ter séculos? Sabe que o termo mais correcto para designar esse enchido de carne de aves e de pão é «tabafeia»? E que Angola teve vários projectos de colonização judaica, o primeiro dos quais em 1886, e o último em 1938, que propunha salvar milhares de famílias judias a troco de 230 milhões de dólares e que Salazar o recusou a fim de evitar futuras «dificuldades diplomáticas com o Führer»? As respostas a essas e a outras centenas de questões podem agora ser encontradas numa só obra.

O Dicionário do Judaísmo Português – trabalho iniciado há cerca de oito anos, segundo os seus coordenadores, e que contou com a colaboração de cerca de 60 especialistas, nacionais e estrangeiros, nas mais diversas áreas do conhecimento – sistematiza a presença judaica em Portugal e a presença e actividade dos judeus de origem portuguesa (à semelhança dos espanhóis, também estes são chamados sefarditas) no mundo. O universo abrangido pelo dicionário vai desde o momento em que há notícia do seu estabelecimento no território geográfico que é hoje Portugal, no século V, até aos dias de hoje, não esquecendo a diáspora dispersa pelo mundo. Há muitas dezenas, talvez centenas, de entradas de carácter histórico (factos e personalidades), e ainda outras tantas sobre rituais, instituições comunitárias judaicas, festas religiosas e um curioso glossário de termos hebraicos.

Basta é a bibliografia (académica mas não só) existente sobre os judeus portugueses, mas este dicionário tem a virtude de a sintetizar e em alguns casos a actualizar, proporcionando, não apenas aos investigadores mas também ao público em geral, uma obra de referência até agora inexistente por cá. Para os leitores que se interessarem por assuntos mais específicos, ou que os queiram aprofundar, é apresentada no final de cada entrada a bibliografia essencial. Um trabalho cuja publicação é de saudar.

In Revista Ler,

Jornalista: José Riço Direitinho

ARISTIDES DE SOUSA MENDES

Um Justo Contra a Corrente

Miriam Assor, Prefácio de José Miguel Júdice, Editora Guerra e Paz (Portugal), 176 páginas, Já nas Livrarias!

Esta é uma obra de cariz fotobiográfico e documental sobre a figura ímpar de Aristides de Sousa Mendes, a sua vida e o sublime acto de humanismo que protagonizou em 1940 salvando mais de 30 000 pessoas da perseguição nazi. Exibir imagens que ilustram a caminhada pessoal de um homem íntegro e que também comprovam a carreira de um diplomata exemplar, repor a legítima verdade com o auxílio rigoroso de documentos oficiais provenientes do Arquivo Histórico Diplomático do Ministério dos Negócios Estrangeiros são os elementos que constituíram o propósito da elaboração do livro. E contra factos não há indubitavelmente argumentos. O comportamento reprovável e iníquo que o Antigo Regime reservou à figura de Aristides de Sousa Mendes, após esta edição, ficará sem defesa.

Organizado em dezoito capítulos, demarcados desde o nascimento de Aristides de Sousa Mendes até aos dias correntes, com textos de escrita clara e sucinta que aludem cada tema escolhido e que estão devidamente acompanhados por fotos e documentação legendadas, a obra proporcionará aos leitores uma leitura agradável e devidamente fundamentada. A combinação entre as reproduções fotográficas, cópias documentais, peças jornalísticas e testemunhos de pessoas que, em tempo do terror nazi, foram salvas pelo cônsul português, estimulam um ritmo directo e emocionante onde o passado é excedido pelo presente visual. A autora procurou contar uma história. De alguém que esteve acima da força humana. Usando mais provas que palavras. Menos gramática que realidades.

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Aristides de Sousa Mendes foi um desses homens raros. Antes daquela terrível e sublime semana, nada o indiciava como estando destinado a um papel sobre-humano e a uma função heróica. Confrontado com um desafio imenso não fraquejou, como seria compreensível e até normal. Habitado por uma tranquila sensação do dever perante os outros, incapaz de evitar a generosidade e solidariedade humanas, fez o que sabemos: salvou mais judeus do que Schindler e abriu as portas de Portugal para muitos outros refugiados que se seguiram, tornando Portugal no mais improvável dos países para salvar judeus, uma placa giratória da dignidade humana.

Os tempos passaram, aqueles não são os tempos actuais e os problemas que afligem a Humanidade são agora outros. Mas não deixam de existir riscos permanentes de cataclismos históricos, pois o ser humano é capaz de himalaias de sublime, mas também de fossas do mindanau do horror. A saga de Aristides de Sousa Mendes deve por isso ser recordada. Pelo que faz pela auto-estima dos portugueses, sem dúvida. Mas sobretudo pelo que tem de exemplar e de inspirador.

In A Circunstância de um Homem, Prefácio,

José Miguel Júdice

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Aristides decide que não pode continuar a viver se não fizer o que a consciência lhe diz que deve fazer, para que aquelas pessoas que ele não conhece e que nunca mais verá não morram num qualquer campo de concentração! Com o apoio incondicional de Gigi, a mãe dos seus catorze filhos, decide desobedecer frontalmente a Salazar, porque esse é o único gesto digno que um filho de Deus pode fazer perante tal calamidade. Hitler, Salazar e outros ficam enraivecidos com tal manifestação de humanidade e bom senso: afinal, ainda há homens bons!? Como é possível?

In In Memoriam,

António de Moncada Sousa Mendes

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Sobre a autora:

Miriam Assor nasceu em Lisboa a 13 de Junho de 1966, no seio de uma família judaica ortodoxa. Uma visita aos campos de concentração nazis, em 1985, fá-la trocar o curso de Psicologia Aplicada e a cidade pela vida comunitária dos kibbutz e pelo voluntariado, em Israel. Regressa após dois anos e meio e licencia-se. Simultaneamente cursa Comunicação no Instituto de Aperfeiçoamento Acelerado. Prefere não exercer nenhum dos diplomas e ingressa na companhia aérea El Al, onde trabalha durante uma década. Enquanto a rotina assentava no verbo viajar, publica, em 1997, Libi, um livro de poemas. Doze meses volvidos, a escrita voa muito mais alto que os aviões. Torna-se cronista da grande escola de humanismo que foi o semanário O Independente. Desde esse passo, a escrita teima e insiste, e em 1999 edita Sentidos. Coordena, em 2001, Luz, em homenagem póstuma ao seu pai, Abraham Assor, rabino da comunidade israelita de Lisboa durante cinquenta anos, figura decisiva no despertar da sua consciência em relação ao terror do Holocausto. Em 2003 coordena a obra Gueto de Varsóvia e na sequência deste tema é comissária de duas exposições, coincidindo a última, em 2005, com a exposição documental alusiva à vida de Aristides de Sousa Mendes, Registos para a Liberdade, na Casa do Registo, em Lisboa. Crónicas de Táxis, editado em Julho de 2008 pela CSantos VP Concessionário Mercedes, é uma compilação de crónicas publicadas na revista Domingo. Actualmente é jornalista freelancer.

HAGADÁ DE PÊSSACH


Idealização: Jairo Fridlin, Ilustrações: Ruben Rosemberg, Editora Sêfer, 126 páginas (16×23 cm, brochura), ISBN 978-85-85583-17-0, 1993 (10ª edição)

INTRODUÇÃO

Um momento especial na vida familiar judaica é a hora do Sêder. Nele, o povo judeu resgata a sua memória tri-milenar e vivencia a época na qual uma grande família conquistou sua liberdade e soberania e passou a conviver no palco das nações no sentido mais pleno.

É revivendo os episódios desta saga que culminou no êxodo do Egipto que a família judaica congraça-se e renova sua crença num mundo livre e mais humano, acalentando a chama da tradição e a aspiração messiânica, sob a égide do Estado de Israel e a grande esperança de continuidade depositada nos jovens e crianças do nosso povo.

Esta Hagadá, que ora apresentamos, reflecte esse anseio. Dirigida aos públicos jovem e adulto, ela pretende reforçar o elo de ligação entre as gerações, possibilitando a todos acompanhar juntos as sublimes lições que há milénios nossos antepassados revivem nas duas primeiras noites de Pêssach.

Através de recursos gráficos sofisticados e uma preocupação constante com a didáctica e a clareza dos textos, esta Hagadá almeja fortalecer a tradição do Sêder nos lares judaicos – de um Sêder com conteúdo religioso, à maneira tradicional.

Nesse sentido, esta Hagadá traz, lado a lado, um moderno texto hebraico, sua transliteração (pronúncia fonética), para aqueles entre nós, que ainda não aprenderam o nosso idioma sagrado, sua tradução para o português, tradução esta explicativa, bem acessível e adaptada para a leitura em voz alta, instruções concisas sobre os procedimentos usuais durante o Sêder, tanto para ashkenazim como para sefaradim, e breves comentários sobre alguns trechos relevantes e conhecidos. As ilustrações e todo o colorido pretendem, ao mesmo tempo, encher os olhos das crianças e servir como instrumento didáctico para certas nuances da Hagadá.

A sensação do dever cumprido sentiremos se mais chefes de família “ousarem” organizar um Sêder em suas casas e descobrirem quão prazeiroso, fácil e recompensador é para um pai ou uma mãe transmitir eles mesmos aos seus filhos a emoção e responsabilidade de ser judeu.

São Paulo, Adar de 5753, Março de 1993

Jairo Fridlin

BEM-VINDO AO JUDAÍSMO

Retorno e Conversão

Maurice Lamm, Editora Sêfer, 464 páginas (16×23 cm, capa flexível), ISBN 978-85-85583-17-0, 1998 (3ª edição)

O JUDAÍSMO ACEITA CONVERSÕES?

SIM, o judaísmo aceita conversões. Embora não seja uma fé proselitista como outras, também não é hermética e inacessível às pessoas sinceras que desejam unir seus destinos a ele. Para tanto, há certas condições e todo um protocolo a ser cumprido. Faltava, sim, um livro em português que desmistificasse o tema e colocasse todos os pontos nos is.

O livro traz inúmeros depoimentos de pessoas que passaram pelo processo, descreve-o minuciosamente e apresenta o bê-á-bá do judaísmo para quem vai iniciar esta longa jornada de aprendizado e novas vivências.

No final, traz um capítulo especialmente escrito para a edição brasileira a respeito dos “marranos” ou cripto-judeus.

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Este livro trata do processo tradicional de conversão ao judaísmo. Busca desmistificar um antiquíssimo ritual, libertando-o de uma teia de conceitos erróneos popularmente difundidos; procura esclarecer questões que, à primeira vista, podem parecer obscuras ou irrelevantes, e lida ainda com a aplicação da lei nas situações contemporâneas. O que tentei fazer foi iluminar o caminho para aqueles que desejam se tornar filhos de Abraão.

“A religião judaica não é simplesmente uma vocação; a conversão ao judaísmo não é apenas uma profissão de fé. A Religião judaica é uma trama de ideias profundas e ricas percepções, que ao longo de sua história gerou as crenças fundamentadas de toda a religião ocidental. Ela é a fonte dos ideais supremos e das mais dignas convicções do mundo o civilizado – entre elas, o conceito de um Deus único; o sistema de jurisprudência; a estrutura da Ética e da moral; a Bíblia e os Profetas; a noção de um livro de preces e de uma casa de orações; numerosas ideias, ideais e instituições e, não menos importante, de uma visão de mundo que tem dominado a cultura ocidental ao longo dos últimos 2500 anos”

Maurice Lamm

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Sobre o autor:

Maurice Lamm é o autor de Jewish Way in Death and Mourning, Jewish Way in Love and Marriage e The Power of Hope.
Ele tem escrito e leccionado incessantemente sobre a ética na Guerra e na paz e sobre questões religiosas no âmbito de sanatórios e doentes terminais.

O Rabino Lamm ocupa uma cátedra no Curso Profissionbalizante de Rabinos no Seminário Rabínico da Yeshiva University de Nova York e é presidente do National Institute for Jewish Hospice. Foi rabino-senior da Beth Jacob Congregation, em Beverly Hills, da faculdade do Stern College for Women, e director de Campo dos Capelões Militares do National Jewish Welfare Board.

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