BÍBLIA HEBRAICA – TANACH


Bíblia

Edição de David Gorodovits e Jairo Fridlin, Editora Sêfer, 880 páginas (14x21x3 cm, capa dura de luxo, papel scritta branco 44 gr), ISBN 85-85583-73-8, 2006.

EUROPA: Informações e encomendas através do email euronigma@sapo.pt

Sucesso de crítica e vendas: mais de 15.000 exemplares vendidos!

* * *

A Editora Sêfer apresenta a tradução para o português da Bíblia directamente do hebraico e à luz do Talmud e das fontes judaicas.

Apresentada apenas em português, mostra a forma como os judeus lêem e entendem o texto bíblico há milhares de anos. De certa forma, isso explicará por que os judeus são como são, em que se baseia a fé judaica ancestral e, talvez, o segredo da sua existência ao longo da história.

Para os leitores não-judeus, a leitura de certas passagens causará alguma surpresa, e isso os fará ver a Bíblia com outros olhos, a partir do contexto judaico original da mesma e sem as “interferências” operadas em certas passagens polémicas no decorrer dos tempos.

São 880 páginas em papel Scritta branco 44 gr. (o que dá uma espessura de apenas 3 cm) e capa dura de luxo.

* * *

Os livros que compõem a BÍBLIA HEBRAICA são:

Torá
Génesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronómio

Profetas
Josué, Juízes, Samuel, Reis, Isaías, Jeremias, Ezequiel e Os Doze (Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Mihá [Miquéias], Nahum, Habacuc, Tsefaniá [Sofonias], Hagai [Ageu], Zacarias e Malaquias)

Escritos
Salmos, Provérbios, Jó, Cântico dos Cânticos, Rute, Lamentações, Eclesiastes, Ester, Daniel, Ezra- Neemias e Crónicas

* * *

Inédito, um Tanach em português!
por Bernardo Lerer 

Jairo Fridlin, da Editora Sêfer, já pode respirar aliviado: dois anos depois de iniciada, está pronta a primeira edição completa do Tanach, isto é, a Bíblia judaica, em português. Ele realiza “um sonho antigo, pois os judeus falam português há pelo menos mil anos e a única versão do Tanach numa língua próxima da nossa é de 1553, editada em Ferrara, na Itália, mas em ladino. Os judeus não tinham autorização para traduzi-la para o português”, conta Jairo, que editou dezenas de livros de oração, de reflexão, para crianças, leis sobre cashrut, etc.

A versão em português do Tanach terá 880 páginas, capa dura de luxo e uma lombada de apenas dois centímetros e meio, porque empregou-se o chamado papel bíblia, cuja folha pesa apenas 44 gramas. O livro é uma obra colectiva. Ele o traduziu junto com David Gorodovits, do Rio, e teve a revisão técnico-religiosa dos rabinos Marcelo Borer, Daniel Touitou e Saul Paves, e dos professores Norma e Ruben Rosenberg, Daniel Presman e Marcel Berditchevsky.

O livro vai se destinar aos alunos das escolas judaicas e ao público em geral.

* * *
Entrevista com JAIRO FRIDLIN:

Quais as novidades desta edição?
A maior, sem dúvida, é seu “jeito” judaico, baseado e influenciado pela visão do sábios do Talmud e nas demais fontes judaicas dos últimos 2.000 anos. O uso dos nomes hebraicos – tanto dos personagens como dos lugares – torna o conjunto da obra mais interessante, porque usamos o “ben” para indicar a filiação (ex.: Avner, filho de Ner, virou Avner ben Ner). Quanto aos lugares, é possível entender onde que se passa pois esses pontos são visíveis no mapa hoje. Na grafia, usamos o H sublinhado para representar as letras Chet e Chaf, ao invés do tradicional CH. Acredito que o resultado seja bom. O público vai decidir. Embora seja apresentada convencionalmente, em capítulos e versículos – cuja origem não é judaica, mas teve que ser “oficializada” devidos aos recorrentes debates inter-religiosos da Idade Média -, tentamos demonstrar como é a divisão judaica para evita desmembramentos e descontextualizações de alguns textos. Apresentamos também aquelas “aberturas” que aparecem no textos hebraicos. Ficamos devendo a inclusão de todo o texto em hebraico. Isso fica para a próxima.
Agora, em relação às outras traduções em português, o que mais a distingue é que nenhuma delas foi feita directamente do hebraico, idioma original da Bíblia. O que ninguém discute e é um fato.

Quais as grandes dificuldades encontradas para a tradução?
Ao não inserir notas de rodapé, tivemos de decidir entre as diferentes opções de tradução de algumas palavras, bem como optar por um dos tantos e ricos caminhos exegéticos. Às vezes, seguimos a opinião de Rashi, outras a de Nachmânides, outras de um terceiro, e assim sucessivamente. Mas sempre apoiados em alguma opinião rabínica, e de preferência, a que melhor se articulava com o texto em si, a que damos o nome de “peshuto shel hamicrá”.

Que cuidados tiveram com a tradução?
Em primeiro lugar, a clareza – para os jovens estudantes entenderem o que o texto diz. Nesse ponto, sacrificamos várias palavras – por si só correctas e precisas – por outras mais conhecidas e compreensíveis. Educadores constituíam o grupo de trabalho para dar uma forte conotação educativa à obra.
Segundo, tentamos inserir no texto algo aparentemente abstracto mas cuja ausência é possível sentir em outras traduções: o olhar judaico, o gosto judaico, o som judaico; o estilo judaico, enfim.
Além disso, tentamos extrair do texto certas influências externas que se incorporaram a ele, às vezes intencionalmente, o que o distanciava do original. Um exemplo é traduzir Shabat por “dia de descanso”, que amanhã poderia vir a ser o domingo… ou traduzir a palavra Toráh apenas como Lei, quando sabemos que ela é muito, muito mais que isso.
Raramente, e entre parênteses, inserimos palavras que complementam o texto, ou que o comentam, ou que identificam determinados personagens a que o texto faz referência. Isso poderá evitar que certas passagens sejam relacionadas a quem não de direito. Nos Profetas maiores e particularmente em alguns dos Escritos, não nos prendemos mais do que o necessário à letra do texto mas tentamos captar e transmitir sua mensagem de forma bem clara, como anteriormente na edição do livro dos Salmos. Nossa intenção é que o leitor se emocione com o texto, vibre e se envolva com a leitura. Neste caso, a tradução literal e “burocrática” seria um erro.

De que fontes se valeram para a tradução?
Primeiro, baseamo-nos na versão em hebraico do Tanach conhecida como “Kéter Aram Tsová” (ou Alepo), reconhecida como a mais fiel e autêntica, e que remonta à época de Maimónides.
Consultamos traduções para o inglês, espanhol, francês – e mesmo português – como fontes de comparação e apoio, mas no apoiamos principalmente nos comentaristas clássicos do Tanach , conforme relacionado no livro, mencionando até a época em que viveram.

Por que uma tradução para o português?
Porque havia essa carência e, em algum momento, alguém teria de fazê-la. O Tanach é a base de todo o “edifício” do judaísmo. Todos os demais livros se relacionam a ele. E é triste e doloroso constatar que poucos de nós tivemos a oportunidade de conhecê-lo. Eu mesmo, no início de meus estudos, sofri para entender muitas passagens. Talvez agora, disponível uma tradução judaica para o português, mais pessoas se interessem em conhecer e estudá-lo com a profundidade que ele merece!

Qual o significado desta obra?
Para mim, é a maior de todas e tantas contribuições judaicas para a Humanidade. Ela é a ponte que poderá tornar o mundo uma grande família de povos e, à luz de seus ensinamentos, aprenderá, um dia, a se respeitar e a viver de forma harmónica e em paz, como nos ensina aquela famosa profecia do lobo e do cordeiro, de Isaías. Ela é o livro mais importante da cultura judaica e o que mais profundamente influenciou a civilização ocidental. Graças a ela, nos deram, aos judeus, o título honorífico e o devido respeito por sermos “o povo do livro”. Pois devemos assumir esta condição, também em português.

O texto foi traduzido na ordem directa, ou tal como se lê no original?
Onde possível, tentamos colocar na ordem directa. Ao invés de “E falou o Eterno a Moisés”, adoptamos o “E o Eterno falou a Moisés”. Mas em trechos dos Profetas e dos Escritos, o estilo do texto exigia que mantivéssemos a forma indirecta.

Quem já se mostrou interessado nela?
Primeiramente, as escolas judaicas; creio que logo as famílias judaicas também se interessarão por uma obra tão importante e fundamental para a identidade judaica. O público não-judaico também está ansioso por conhecer a forma como nós, judeus, lemos e entendemos a Bíblia.

A edição inclui a exegese do texto bíblico?
Apenas parcialmente, pois não existe tradução sem exegese. Em outras palavras, a própria tradução é, em certa medida, uma exegese.


Caderno 2- CULTURA-  de O Estado de S.Paulo- D5 22-1 2006

Bíblia Hebraica, a nova versão que não é uma redundância

Grupo de trabalho que teve à frente o editor Jairo Fridlin traz a especialistas mais um elemento complicador e enriquecedor

Moacir Amâncio

Existem várias e boas traduções da Bíblia em português. Uma grande tradução é aquela de João Ferreira de Almeida (a fiel), pela qualidade literária. A Bíblia de Jerusalém é uma das versões autorizadas para uso em pesquisa, etc. Católicos ou protestantes, cada um conta com a sua Bíblia, com o objectivo de atingir a verdade do texto original. No Brasil, onde existe vida judaica organizada há cerca de 150 anos, tinham aparecido as versões do Pentateuco (Torá) feita por Matsliah Melamed (Sêfer) e A Torá Viva (Maayanot). Faltava a parte complementar do conjunto, que forma a Bíblia Hebraica: Profetas e Escritos.

A questão que se colocava: o que fazer quando se tratava de estudar essa literatura específica numa escola judaica, antes do conhecimento suficiente do hebraico, ou quando um judeu pretendia ler a Bíblia Hebraica em português? Era preciso recorrer às traduções em voga e adaptá-las à linha de pensamento exigida. Por isso o editor e tradutor Jairo Fridlin reuniu um grupo de tradutores, educadores e rabinos para resolver o problema – sem entrar na questão de que, diante do texto bíblico original, o leitor se apoia em comentários e, no caso de estudiosos, em pesquisas linguísticas. O resultado é esta edição da Bíblia Hebraica em português. Pode ser vista como serviço prestado a fiéis e uma contribuição para o diálogo entre as religiões, que se iluminam reciprocamente – os especialistas têm agora mais um elemento complicador e enriquecedor.

Fridlin e David Gorodovits se encarregaram da tradução, enquanto Uri Lam (responsável por tornar acessível em português O Guia dos Perplexos, de Maimónides) secretariou o grupo, e os demais se encarregaram de revisão técnica e outros tipos de assessoria especializada. Para chegar ao texto final, a equipe utilizou-se dos grandes exegetas antigos, que incluem desde rabinos talmúdicos e o tradutor aramaico Ônkelos, até os medievais Shelomô Itshak (Rashi), Ibn Ezra, Nahmânides, Maimônides, dom Isaac Abravanel, etc. Possíveis diferenças com outras versões nem sempre são tão claras e podem obedecer a critérios eruditos e sutis, com implicações interpretativas em diversas áreas. Um exemplo está em Êxodo, 21:8, que talvez dê ideia da complexidade em pauta, pois, como sabemos, a Bíblia é muito difícil em qualquer idioma.

Trata-se do caso em que um pai vende a filha como serva e as consequências do ato. Diz o versículo: ‘Se for má aos olhos de seu senhor para consagrá-la para si, ou remi-la, não poderá vendê-la (nem o pai) a outro homem após tê-lo servido e não havê-la desposado.’ O nó aqui está em ‘outro homem’. O original hebraico refere-se a ‘povo estranho’, o que é observado por Ferreira de Almeida e pela Bíblia de Jerusalém. No entanto, Ônkelos traduz para ‘outro homem’, assim como rabinos antigos entendem o versículo. Nada aqui é pacífico e não é este o espaço para análises do ponto, mas polémicas à parte, os tradutores da Bíblia Hebraica procuraram as próprias tradições, que se explicam nelas mesmas.

Os caminhos de contrastes e confrontos sugeridos a partir daí são suficientes para estimular o estudo. Não há motivo para se considerar esta nova tradução uma redundância, diante da quantidade de traduções existentes. Até porque, como enfatizam os editores, não se conhece até hoje um esforço semelhante em português, mesmo no passado da Península Ibérica anterior à inquisição e à expulsão dos seguidores de Moisés. Além disso, qualquer texto só pode ser lido à luz do momento presente, e as análises mais conclusões dependem do enfoque do leitor. Por esses motivos, a publicação não pode passar sem registo – ela tem evidente sentido histórico.

Moacir Amâncio é autor de Contar a Romã (Globo)


Revista 18

Centro da Cultura Judaica – Casa de Cultura de Israel

AnoIV– número 17 –Setembro / Outubro / Novembro2006ISSN1809-9793

Uma nova Bíblia em português

Nova tradução da Bíblia hebraica, directamente do idioma original, chega ao leitor de língua portuguesa com a intenção de reparar distorções e de incluir a tradição e sapiência judaica. O trabalho, porém, é apresentado de forma monolítica, sem notas nem comentários, ou seja, é uma entre muitas interpretações possíveis das escrituras. Por Suzana Chwarts

A publicação da Bíblia hebraica por David Gorodovits e Jairo Fridlin – “baseada no hebraico e à luz do Talmude e das fontes judaicas” – traz ao leitor brasileiro o texto bíblico a partir de uma perspectiva judaica, segundo escrevem, em seu prefácio, os editores deste empreendimento. Ou seja, trata-se de um livro que procura harmonizar literaturas distintas, que perfazem uma trajectória de dois milénios: o texto hebraico massorético, o Talmude e os comentários dos sábios de Israel. David Gorodovits é referência de militância e erudição judaicas na comunidade do Rio de Janeiro, onde actua há 50 anos. Jairo Fridlin, que estudou na yeshivá de Petrópolis e na yeshivá Netiv Meir, em Jerusalém, é o responsável pela tradução para o português do Sidur e do Machzor (livros de orações), editados pela Sefer.

Os editores e tradutores responsáveis por esta tradução para o português da Bíblia hebraica investem na compreensão dos seus conteúdos, e o fazem a partir de dois pressupostos teológicos. O primeiro deles é o de que a Bíblia é fiel à verdade de forma absoluta, e o segundo, de que ela revela o caminho que conduz à “harmonia, à paz universal e ao amor sem cobiça”. Para apreendê-los, no entanto, explicam que urge incorporar ao texto bíblico os ensinamentos do Talmude e dos exegetas. Seu objectivo, assim, parece ser a ampliação e o aprofundamento da consciência contextual, dotando o texto bíblico de uma dimensão suplementar, ancorada na tradição de sapiência de Israel, isto é, de uma sabedoria produzida em tempos e espaços diversos, e que jamais foi encerrada no dogma, e por isto mesmo destacando-se, entre todas as teologias, por sua polifonia e por sua liberdade de inquirir o texto bíblico em suas várias nuances.

Tal diversidade reflecte-se na relação dos “principais exegetas consultados”, apresentada pelos editores, e da qual cito apenas alguns nomes como o Rashi, exegeta que priorizou o pshat (sentido contextual); Guersônides, filósofo, matemático e astrônomo; Nahmânides, cabalista e místico; Maimônides, racionalista; Abravanel, liberal; Gaon de Vilna, dogmático. O acesso a esta sabedoria não está em notas de rodapé ou excursos no final da obra, mas, segundo afirmam os editores, no próprio corpo do texto bíblico, através de um sistema criterioso de substituição ou inserção de terminologia. Os critérios, no entanto, permanecem ocultos ao leitor que, sem dúvida alguma, se beneficiaria imensamente da sua exposição, ainda que sucinta.

Da observação do texto fica claro que os tradutores buscam uma relação interactiva e orgânica entre as diversas fontes, uma fusão harmoniosa – um verdadeiro trabalho midráshico, isto é, interpretativo, e direccionado às gerações actuais – mas que, inevitavelmente, resulta num texto desigual, que intercala trechos fiéis à tradição massorética com outros, expandidos ou modificados pela exegese, não obstante o cuidado dos tradutores em demarcar suas interferências com parênteses e travessões. Talvez seja este exactamente o anseio dos editores que, visando intensificar o potencial redentor do texto, desdobram-no até atingir os limites do ideológico e do teológico, no intuito de transformar a leitura da Bíblia hebraica numa experiência judaica singular, que “instile em seus leitores o desejo de absorver seus ensinamentos e passar a vivenciá-los na prática”.

O texto que lhes serviu de base é o do códice de Alepo, também conhecido como keter aram tsova, do século 10 a.e.c., e um dos principais códices massoréticos da tradição Ben Asher. Seu texto consonantal foi escrito por Shlomo ben Buyaa e, segundo a tradição, Aaron ben Asher se encarregou da vocalização, acentuação e notações massoréticas. Em Dezembro de 1947, durante o pogrom perpetrado contra a comunidade judaica de Alepo, na Síria, a sinagoga, onde estavam guardados os manuscritos, foi incendiada, e apenas 295 páginas restaram das 487 páginas originais. O códice foi trasladado a Israel, onde está até hoje, tornando-se objecto de estudo de renomados biblistas, como Moshe Goshen-Gottstein, que considerou consistente a afirmação tradicional de que este seria o modelo de Bíblia que Maimónides teria conhecido no Egipto e empregado na elaboração de sua obra mais relevante para o judaísmo – o mishne torah. O códice de Alepo foi, recentemente, a fonte de várias edições modernas da Bíblia hebraica, inclusive de duas edições de Mordechai Breuer e da consagrada Keter Yerushalaym, impressa em Jerusalém, e baseada na caligrafia e na configuração do códice, que, aliás, Fridlin e Gorodovits adoptam em sua Bíblia hebraica, preservando as aberturas e espaços em branco do texto, a grafia de certas palavras e a divisão de alguns versículos.

Os tradutores deixam claro, no entanto, que sua versão da Bíblia hebraica apenas “se baseia” no hebraico e que o códice de Alepo apenas “norteia” seu exercício de tradução. Por outro lado, a apresentação do livro cria uma grande expectativa para o leitor: a de que será conduzido, por intermédio da tradição exegética judaica, a uma compreensão mais profunda da mensagem bíblica, como o exemplo citado pelos tradutores:

“No primeiro livro do tanakh (o Pentateuco), quando Deus coloca o homem no Jardim do Éden, um quadro vívido do que deveria ser a ecologia universal nos é apresentado: o homem e todos os componentes da natureza convivendo em equilíbrio e harmonia. No entanto, o ser humano não consegue manter o comportamento que lhe é determinado, e em consequência disto é obrigado a deixar o Paraíso. ‘Com o suor de teu rosto comerás pão’; a sentença proferida pouco antes de sua expulsão é muitas vezes interpretada como um terrível castigo, mas o judaísmo a entende como uma nova oportunidade oferecida ao homem pelo Criador, em Sua infinita bondade, para que ele, com seu trabalho, esforço e mérito, reconstrua esse mundo ideal.” Mas ao lermos os últimos versículos do capítulo 3 do Livro do Génesis, que narram a expulsão de Adão e sua mulher do Paraíso, encontramos somente as palavras aterradoras de Deus, e esta visão judaica da cena da expulsão – redentora e particularmente maravilhosa – permanece inatingível, pois é impossível incluí-la no corpo do texto.

Já no Cântico dos Cânticos, Fridlin e Gorodovits alinham a leitura e a compreensão da mais famosa poesia de amor do mundo à exegese, que a considera uma alegoria do amor entre Deus e Israel, identificando o locutor de cada fala: Deus (nas falas do amante); Israel (nas falas da amada); as nações (nas falas das filhas de Jerusalém) e o Tribunal Celeste (na fala dos irmãos). Tais interferências de fato modificam a leitura do texto, e convidam à reflexão.

Em diversas instâncias o texto nos remete directamente à versão exegética, transformando alusão em definição: o “servo sofredor”, ao qual se refere o profeta Isaías, é prontamente identificado como o povo de Israel. Outras vezes, a tradução, fiel ao hebraico, corrige interpretações de outras teologias que corromperam seu sentido original e, consequentemente, a identidade do texto como um todo. Assim, lemos que “a moça grávida dará à luz um filho e o chamará Imanuel” em Isaías 7:14, e não a “virgem”, conforme uma tradução errónea, porém corrente, do termo hebraico ‘almah’.

A equipe de tradutores e revisores se esmerou na clareza do texto em português, que flui livre dos arcaísmos e termos rebuscados característicos de tantas outras traduções. É sempre relevante ter em mente que a oralidade é um componente significativo da Bíblia hebraica, que é lida em voz alta várias vezes por semana na liturgia judaica, e esta qualidade foi respeitada na tradução, acentuada, inclusive, pela preservação dos nomes próprios e de lugares no hebraico original. Surpreende apenas, na bibliografia, a ausência de dicionários bíblicos especializados, m instrumento indispensável no exercício da tradução. Os estudos etimológicos do hebraico bíblico revelam camadas de significado que iluminam o texto e aguçam sua compreensão.

Um exemplo: em Gênese 1:2 lemos “a terra era sem forma e vazia, e havia escuridão sobre a face do abismo, e o espírito de Deus pairava sobre a face das águas”. Os tradutores optaram pelo verbo “pairar” para traduzir o hebraico merahefet, assim como a maior parte das traduções convencionais. O radical rhf, porém, do qual merahefet é derivado, traz a ideia básica de movimento, deslocamento e vibração, um sentido que o hebraico compartilha com o ugarítico (língua semita ocidental, da mesma família do hebraico). Na própria Bíblia hebraica, este verbo figura outras duas vezes, em Deuteronômio 32:11, quando descreve uma águia que se agita em torno de seu filhote, e em Jeremias 23:9, quando o profeta faz referência ao tremor dos ossos. O verbo em Gênese 1:2 associado a ruah, vento, sopro, espírito divino, reforça ainda mais a ideia de que a superfície das águas estaria agitada: a presença divina gerando movimento e dinamismo e alterando a natureza informe e estática do caos primordial.

São oportunidades como esta – de esclarecer a mensagem bíblica através do estudo de sua língua original, assim como a de aprofundar sua percepção através dos ensinamentos dos sábios da tradição judaica – que movem estudiosos como Fridlin, Gorodovits e o grupo de revisores da obra, composto por professores do ensino judaico e rabinos, e que constituem a tónica e a razão de ser de uma Bíblia como a que temos hoje em mãos.

Trata-se de uma obra que vem preencher uma lacuna na bibliografia judaica brasileira, e incorporar-se à herança de Israel – uma herança que vem sendo edificada, ao longo dos séculos, por aqueles que firmam um pacto de leitura com a Bíblia hebraica e com sua palavra, sempre aberta à expansão e à descoberta.

Anúncios

SALMOS



Vitor e Jairo Fridlin, David Gorodovits, Editora Sêfer, Edição em 2 formatos:

Salmos – Hebraico e Português (de bolso) – 464 páginas (10,5×14 cm, capa dura), ISBN 85-85583-25-8, 2000 (4ª edição)

PORTUGAL: Informações e encomendas através do email euronigma@sapo.pt

Salmos – Com Tradução e Transliteração – 464 páginas (14×21 cm, capa dura), ISBN 85-85583-20-7, 199 (4ª edição)

PORTUGAL: Informações e encomendas através do email euronigma@sapo.pt

***

Do Prefácio:

«… Partindo de uma tradução literal, consultámos obras de nossos grandes comentaristas (relacionados no livro) para não nos desviar, em momento algum, de seu significado pleno, e tentámos reescrever a obra de David em português.

Se a inspiração que moveu o Rei David a nos legar este monumento conseguir atingir nossos corações e as mentes destes meninos judeus que pretendem voltar para casa, e ajudá-los a recuperar sua herança espiritual, já nos sentiremos recompensados.

Possa o Eterno nos abençoar e nos conduzir pela vereda da Vida a uma existência plena de estudo, oração e Maassim Tovim, boas atitudes.

Que uma Teshuvá completa seja alcançada por cada um de nós. Para que a ética, a prática da nossa religião e seus valores humanitários, a dedicação ao trabalho inspirador e criativo que sempre caracterizou o povo judeu e sua contribuição para o bem-estar dos seres humanos nos permitam constituir uma das parcelas positivas capazes de mudar o destino da Humanidade, dividida e cheia de ódios, desentendimentos, preconceito e incompreensão, para conquistar seus opostos: a compreensão e a paz.

Para que, afinal, penetre em nossos corações o significado do Salmo 19 como exemplo dos demais:

“Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento atesta a obra de Suas mãos. Um dia ao seguinte transmite esta mensagem, uma noite à outra a comunica.

Não é linguagem humana, não há palavras, e som algum é percebido, mas por toda a terra ressoa o que dizem, e até aos confins chega Sua mensagem;

Para o sol assentou Deus no céu uma tenda; ele é como o noivo que sai da câmara nupcial, e como um herói ansioso para percorrer seu trajecto. Parte de um extremo dos céus e atinge o outro, e nada escapa de seu calor.

A Lei do Eterno é perfeita e reconforta a alma; verdadeiro é o testemunho do Eterno, que torna sábio o mais simples.

De absoluta rectidão são os preceitos do Eterno e trazem alegria ao coração; límpido é o mandamento do Eterno, que ilumina o olhar.

Puro é o temor do Eterno e perdura para sempre; verdadeiros são os julgamentos do Eterno, todos igualmente justos. São mais desejáveis que o outro, que o ouro mais refinado; mais doces que o mel que se forma nos favos.

Teu servo se esmera em cumpri-los e sei que grande é a recompensa por sua observação. Mas quem consegue discernir seus próprios erros?

Purifica-me das faltas involuntárias que não percebo.

Preserva-me também dos pecados conscientes, para que não dominem; serei então plenamente íntegro e estarei inocente de grandes transgressões.

Possam as palavras de minha boca e a prece de meu coração serem aceites por Ti, ó Eterno, minha Rocha e meu Redentor.”

Elul 5759, Agosto 1999.

David Gorodovits, Vitor Fridlin e Jairo Fridlin »

NEGÓCIO FECHADO


Parábolas da Cultura Judaica e sua Luz sobre a Arte de Vender

David Godorovits e Silvio Acherboim, Editora Sêfer, 112 páginas (14×21 cm, brochura), ISBN 978-85-85583-43-9, 2002 (3ª edição 2007)

PORTUGAL: Informações e encomendas através do email euronigma@sapo.pt

***

Escrever a apresentação de um livro que contém experiências milenares é um convite fascinante. A arte de vender nasceu no seio do povo judeu, no período em que este foi proibido de possuir qualquer tipo de propriedades, como terras para cultivar ou imóveis para trabalhar.

Dizem que os responsáveis pelo grande sucesso dos judeus na arte de negociar são justamente os gentios, que não lhes deixavam outra alternativa de sobrevivência.

Essa proibição transformou os maiores sábios judeus de cada época em hábeis negociantes, que empregavam inteligência e valores éticos para fazer da única alternativa de sobrevivência, a maior oportunidade de crescimento.

Os autores de Negócio Fechado – David Godorovits e Silvio Acherboim – foram extremamente felizes ao escrevê-lo com base nesses ensinamentos que, certamente, provocarão nos leitores e profissionais do ramo uma grande reflexão sobre as suas actividades e um período de mudanças significativas.

Aquele que escolheu vendas como sua profissão, com toda a nobreza que ela carrega, terá neste livro um companheiro permanente, que permitirá que as histórias aqui contidas sejam lidas e relidas sempre, pois, em cada estudo dos textos, uma nova interpretação poderá surgir, permitindo avanços importantíssimos nas estratégias de actuação.

Jack Strauss

Empresário do ramo de varejo, director da empresa Sofá & Companhia e coordenador do PNBE (Brasil)

***

Senti-me muito honrado ao ser convidado a escrever a resenha deste livro, cujo conteúdo é a essência de uma cultura de 5769 anos. Na sua introdução, aborda-se a verdade na plenitude de sua nudez, raramente aceita porque tem uma só face: a que nos interessa, e não a que nos expõe.

Fala do pessimismo mas fala, em seguida, de esperança. Este contraste leva-nos a avaliar o que se possuía e o que foi perdido, porém sem jamais duvidar de que a beleza da vida pode sempre ser reencontrada, desde que se tenha dentro de si o Eterno, com a certeza de que a Ele não se pode enganar sem enganar a si próprio.

Este livro enfeixa de forma contundente tudo o que a vida me ensinou, pois, como vendedor de jóias, aprendi a ouvir confissões íntimas sem poder comentá-las; precisei ser solidário sem me tornar cúmplice. Consolidou-se assim em meu espírito o senso ético, e logo aprendi que o “olho no olho” e o aperto de mão sincero valem muito mais do que um contracto formal.

Leia, mas leia com atenção e fique mais atento ainda àquilo que lhe pareça óbvio, porque é no aparentemente óbvio, na simplicidade da frase já ouvida que estão as grandes verdades e ensinamentos que as dificuldades da vida, às vezes até por conveniência, nos fazem esquecer.

Negócio Fechado levou-me a uma deliciosa viagem retrospectiva no tempo, onde naveguei por minha própria vida. Com certeza, fará igualmente bem a você, leitor.

Medite sobre cada detalhe e incorpore à sua alma toda a riqueza e sabedoria que lhe serão proporcionadas. Elas poderão se tornar importantes ferramentas para os seus negócios, para suas actividades. Mas, acima de tudo, farão de você um ser humano mais feliz.

Alencar Burti

Presidente da Associação Comercial de São Paulo e Presidente da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Brasil).

***

Sobre os autores:

David Godorovits é natural de Salvador, na Bahia (Brasil), é pós-graduado em Engenharia Civil, com especialização em Física e Administração de Empresas, e actua na área de suprimentos. Mora no Rio de Janeiro há mais de 50 anos e é membro actuante em quase todas as entidades judaicas da cidade, onde encanta os participantes de suas palestras, prédicas e cursos com pérolas da milenar sabedoria judaica. É membro do conselho editorial da Sêfer e participou decisivamente na edição das obras SALMOS, A ÉTICA DO SINAI, TORÁ e O CAMINHO DOS JUSTOS. É casado com a pedagoga Augusta, pai de 3 filhos e 11 netos.

Silvio Acherboim é natural de São Paulo, é filho e neto de comerciantes que imigraram da Bessarábia. Pós-graduado em Administração de Empresas, MBA em Marketing de Serviços, actua directamente em vendas há 20 anos e é director da SMSª Sales & Marketing Solution, onde, através de histórias e textos, procura motivar pessoas a alcançar as suas metas de vida, pessoais e profissionais. É casado e pai de 3 filhos, que são a sua inspiração para viver e… vender.

NA ESPIRAL DO TEMPO



Uma viagem pelo calendário judaico

David Gorodovits, 182 páginas (14×21 cm, brochura), ISBN 978-85-85583-92-7, 2008

Informações e encomendas através do email euronigma@sapo.pt

***

Descreve, comenta e explica as datas e festas do calendário judaico, entremeando as lindas parábolas do autor, que tanto emocionam seus ávidos ouvintes e leitores.
As festas e as comemorações nacionais representam os pontos de inserção na história da nação, em seus momentos mais significativos e marcantes, para que não se esqueçam seus caminhos no passado como um indicador de quem somos e dos caminhos para o nosso futuro. As festas e as comemorações religiosas nos inserem na espiritualidade da fé, na comunhão com o Divino, contraponto necessário para dar um sentido à vida que transcende o materialismo do dia-a-dia. As festas e comemorações populares, folclóricas, nos remetem à alegria de uma cultura autêntica, que é ao mesmo tempo a expressão de nossa maneira de viver e de como queremos viver. As festas e comemorações judaicas reúnem, todas e cada uma delas, esses significados, como nos conta David Gorodovits em seu livro Na Espiral do Tempo. Com clareza, leveza, fluência e bom humor, ele nos apresenta a cada uma das comemorações judaicas ao longo do ano, ao longo dos meses, ao longo da semana; explica seu significado, sua raiz histórica, os costumes a elas vinculados, assim como nos dá uma visão humana e humanística de sua repercussão no corpo e na alma, da emoção que elas evocam, da memória que suscitam, das vivências que proporcionam, dos pequenos e grandes aspectos que as cercaram no passado e as criaram como elo entre este passado, o presente e o futuro dos judeus e do povo judeu.
Neste livro não só se aprende tudo sobre esses momentos cruciais da história e da religião judaicas, mas aprendemos também como eles repercutem na vida real das pessoas, como seu significado se traduz em vivência, e não só em culto e memória. As histórias e episódios que o autor nos conta com maestria formam um verdadeiro midrash, e os poemas e excertos que ele reúne em torno de temas heróicos ou dramáticos da história são a reverberação da alma judaica que exulta ou que sofre, que resiste ou que festeja, que chora ou que ri.
Na espiral do tempo justifica seu nome da primeira à última página. Uma espiral que se enraíza no mais distante passado, há milhares de anos atrás, e nos traz esse passado, transformado em recordação, em comemoração, em vivência ao presente, para que possamos vislumbrar essa espiral nos levando de encontro ao futuro inevitável do povo judeu, que é o do eterno reencontro com si mesmo.Paulo Geiger

Sobre o autor:
DAVID GORODOVITS, natural de Salvador, na Bahia, é pós-graduado em Engenharia Civil e Engenharia de Segurança, tendo feito vários cursos nas áreas de Administração de Empresas e Física. Actuou nos últimos 25 anos na área de Suprimentos e actualmente é o Director Executivo do Centro de História e Cultura Judaica (CHCJ). Mora no Rio de Janeiro há mais de 50 anos e é membro actuante em quase todas as entidades judaicas da cidade, onde encanta os participantes de suas palestras, prédicas e cursos, com pérolas da milenar sabedoria judaica. É membro do Conselho Editorial da Sêfer e participou decisivamente na edição das obras SALMOS, A ÉTICA DO SINAI, TORÁ, O CAMINHO DOS JUSTOS, NEGÓCIO FECHADO, BÍBLIA HEBRAICA e O QUE É RESPEITAR O SHABAT? É casado com a pedagoga Augusta, pai de 3 filhos, 11 netos e 2 bisnetos.

Editora brasileira lança Bíblia Hebraica em Portugal


In Público 02.04.2007, Luís Miguel Queirós

Informações e encomendas através do email euronigma@sapo.pt

Edição acaba de chegar ao mercado português. A obra tem a particularidade de ter sido traduzida directamente dos textos originais hebraicos.

A Bíblia Hebraica, lançada no final do ano passado no Brasil, pela editora e livraria Sêfer, está agora disponível no mercado português, onde só tinham aparecido pontualmente alguns exemplares. Para assinalar a distribuição da obra em Portugal, a distribuidora Euroenigma, parceira da Sêfer para a Europa, promoveu na semana passada duas sessões de lançamento, em Lisboa e no Porto, ambas com a presença de Jairo Fridlin, editor da Sêfer e um dos responsáveis por esta tradução, juntamente com David Gorodovits.
Esta Bíblia judaica em português tem a particularidade de ter sido directamente traduzida dos textos originais hebraicos, algo que, até agora, só fora feito para a Torá, isto é, para os cinco livros a que os cristãos chamam o Pentateuco. Seria preciso recuar a meados do século XVI e à famosa Bíblia de Ferrara, encomendada por Gracia Nasi, para se encontrar uma versão integral, e mesmo assim não em português, mas em “ladino”, um idioma muito próximo do castelhano que os judeus sefarditas levaram para os Balcãs e para a Turquia após terem sido expulsos da Península Ibérica no final do século XV.
O conteúdo do Tanach, ou Bíblia hebraica, corresponde sensivelmente ao Antigo Testamento na Bíblia protestante, e está um pouco mais distante do cânone católico, já que este inclui os chamados “livros deuterocanónicos” – Macabeus (I e II), Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico e Baruch -, além de algumas passagens suplementares nos livros de Ester e Daniel, aos quais tanto os judeus como as várias correntes cristãs evangélicas recusam o estatuto de textos escritos sob inspiração divina. Não surpreende, portanto, que na lista de obras consultadas os responsáveis por esta Bíblia Hebraica incluam a tradução seiscentista do português João Ferreira de Almeida, ainda hoje a Bíblia de referência para os evangélicos portugueses e brasileiros, actualmente a ser reeditada pela Assírio & Alvim e pelo Círculo de Leitores, numa versão em oito volumes organizada por José Tolentino Mendonça.
As diferenças mais ostensivas dizem respeito à organização dos textos. O Tanach inclui 24 livros – não aceita a divisão de alguns deles em duas partes, como acontece nas Bíblias cristãs -, divididos em três núcleos principais: Torá (Pentateuco), Neviim (Profetas) e Ketuvim (Escritos). O próprio termo Tanach constitui, aliás, um acrónimo elaborado a partir das iniciais destas três designações.
Mas se as divergências se resumissem a questões de arrumação, talvez Fridlin não tivesse gasto alguns anos da sua vida a preparar esta tradução. O problema, do ponto de vista dos judeus, é que o credo do tradutor deixa inevitavelmente marcas no seu trabalho. Segundo Fridlin, os estudantes dos primeiros graus das escolas hebraicas no Brasil viam-se obrigados a recorrer a traduções cristãs da Bíblia “e acabavam por ir assimilando conceitos que são próprios do cristianismo”.
Visão judaica
Uma das principais motivações dos responsáveis deste projecto foi a de fornecer uma visão judaica do Tanach, apoiando-se numa longa lista de comentadores das mais diversas épocas. A edição apresenta-se como sendo “baseada no hebraico e à luz do Talmud e das fontes judaicas”. E, como os comentadores nem sempre estavam de acordo, foi preciso decidir caso a caso. Uma das reservas que tem sido colocada a esta tradução é precisamente a de não explicitar os critérios de escolha entre diversas tradições interpretativas.
O objectivo de Fridlin e Gorodovits foi, todavia, o de preparar uma edição acessível e de fácil legibilidade, e daí que tivessem optado por não incluir notas. Esta preocupação levou também, por exemplo, a que fosse adoptado o recurso aos capítulos e versículos, que não existiam nos textos hebraicos originais. Ou que se grafasse o som gutural “rr” com um “h” sublinhado por baixo, ao invés do habitual “ch”, para evitar confusões com a fonética portuguesa. Em alguns casos de passagens que poderiam ser mal percebidas pelos leitores de hoje, os tradutores incluíram ainda breves informações contextuais.
Para Fridlin, a utilidade desta tradução não se limita aos seus potenciais leitores judeus, mas também aos cristãos, e designadamente aos exegetas e tradutores bíblicos, que terão interesse em “consultar uma fonte judaica”.

Lançamento Oficial em Portugal da Bíblia Hebraica (Tanach) – Ladina Tertúlias a 28 de Março de 2007


Informações e encomendas através do email euronigma@sapo.pt

Lançamento Oficial em Portugal da Bíblia Hebraica (Tanach) a 27 de Março de 2007


Informações e encomendas através do email euronigma@sapo.pt

%d bloggers like this: