PEQUENOS CONTOS DE ENREDO INDETERMINADO


Capa moghrabi

Alberto Moghrabi, Editora Sêfer, 176 páginas (14×21 cm, brochura), ISBN 85-85583-29-0, 2001

PORTUGAL: Informações e encomendas através do email euronigma@sapo.pt

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Crónicas

― Vó! Quando é que você vai morrer?

A avó olha para o netinho, meio surpresa, meio achando graça, mas não perde a compostura.

― Ah, vai demorar… Eu vou morrer depois do seu casamento!

― Você promete?

*

Parece até que eles não faziam outra coisa. Sem TV ou Internet, casar e ter filhos era a solução. Como eles casavam muito cedo e ficavam tendo filhos por décadas, acabavam tendo tios mais novos que sobrinhos, mães e filhas gestavam concomitantemente.

*

― Ah é? E os terroristas? Têm um monte de terrorista lá e esses, meu filho, estão sempre em guerra! Tem bomba no meio da rua. Eles jogam foguetes dentro da sua casa e virando para o pai:

― Fala alguma coisa também! Não vê que o menino quer nos abandonar? Ele já está de malas prontas para ir embora, está indo para a guerra!

*

Durou pouco a minha alegria. Me vi, sentado na frente de um dos titãs da psicologia nacional, num ambiente pouco arejado e muito mal iluminado, um olhando para o outro durante quase uma hora. Pensei comigo mesmo: ei, não vai me dizer quais as regras do jogo? Será que ele não estava me enxergando direito? Teria dormido?

*

Os amigos, enquanto comemoravam, já iam me avisando que ser pai de uma menina não seria fácil. Se fosse feia… problema. Se fosse bonita… problemão.

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Colocar em pequenas histórias a vida que levamos e chamar a atenção do leitor para que inicie e, no final, se satisfaça é uma tarefa árdua que os cronistas têm se esmerado em alcançar.

Alberto Moghrabi tem esse dom, essa finalidade de passar ao leitor a sensação de ter visto ou vivido a situação descrita. Sua narrativa prende a atenção até ao fim e sempre nos oferece uma boa surpresa.

Com um linguajar muito prático e acessível, conduz o leitor pelas histórias de maneira a ele mesmo se situar como protagonista de cada cena.

A escolha dos temas, que são relacionados a todos os aspectos da vida, torna-se peculiar quando Moghrabi fala do Egipto, onde nasceu e de onde, muito pequeno, veio para o Brasil.

Não só nessas, mas a cada crónica o talento de escrever se sobressai e, a cada instante, percebe-se algo como se alguém estivesse contando as histórias ao vivo, ao nosso lado.

É uma leitura para divertir e fazer reflectir, fazendo saltar aos olhos (e coração) alegrias e emoções.

Nessim Hamaoui

Activista da Comunidade Judaica de São Paulo e director geral do jornal “Semana Judaica”.

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Sobre o autor:

Alberto Moghrabi nasceu em Alexandria, no Egipto, em 15 de Novembro de 1955. Chegou ao Brasil com a família em Maio de 1957. É formado em economia pela PUC-SP. Escreve crónicas para o jornal “Semana Judaica”. É casado com Viviane e tem dois filhos, Marina e Alexandre.

JUNTOS… UM SÓ POVO


Capinha juntos

Shlomo Carlebach, Editora Sêfer, 184 páginas (14×21 cm, brochura), ISBN 85-85583-68-1, 2004

PORTUGAL: Informações e encomendas através do email euronigma@sapo.pt

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Contos

Na Hagadá de Pêssach dizemos: “Conta-me que, em certa noite de Pêssach, estavam reunidos cinco dos maiores sábios de Israel, em Benê Berac: Rabi Eliézer, Rabi Iehoshúa, Rabi Elazar bem Azaria, Rabi Akiva e Rabi Tarfon, e contavam histórias… a noite toda”. Eu e certamente vocês também, como fazem todos os bons judeus, questionamos como se deve educar as crianças. É lógico, com muito estudo ― “contavam histórias… a noite toda”. A educação começa com histórias. SOMENTE COM HISTÓRIAS. Rabino Shlomo Carlebach

Por tudo, seja exaltado, santificado, louvado, glorificado, elevado e engrandecido o Nome do Rei dos reis, o Santíssimo, bendito seja Ele, em todos os mundos que criou, neste mundo e no mundo vindouro, conforme Seu desejo, e o desejo dos que O veneram, e o desejo de toda a Casa de Israel. Rochedo de todos os mundos, Senhor de todas as criaturas, Deus de todas as almas, que sentas na plenitude das Alturas, que habitas os Céus, que Sua santidade está sobre as criaturas e o Trono da Glória.

Portanto, santificas o Teu Nome em nós, Eterno, nosso Deus, diante d todo ser vivo, e diremos diante de Ti um canto novo, como está escrito: “Cantai a Deus, cantei louvores ao Seu Nome; exaltai Aquele que monta nos Céus, com Seu Nome lá, e exultei diante Dele”.

E veremos com nossos próprios olhos ao voltar à Sua Morada, como está escrito: “Porque com seus próprios olhos verão quando o Eterno voltar a Tsión”. E foi dito: “A glória do Eterno se revelará, e toda criatura juntamente a verá; pois o Eterno sentenciou assim”.

Oração recitada após a retirada da Torá da Arca Sagrada no Shabat e dias festivos.

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Sobre o autor:

O Rabino Shlomo Carlebach nasceu na Alemanha em 1925. Ainda jovem, mudou-se para os Estados Unidos, onde estudou em yeshivot e foi considerado um prodígio. Foi discípulo do Sábio Rabino Aharon Kotler ZT”L (abençoada seja a memória desse justo!) e do ilustre mestre, o Rebe de Lubavitch ZT”L.

Ocupou-se todos os dias de sua vida com a aproximação das almas ―  entre o homem e seu semelhante; entre marido e mulher; e entre o Povo de Israel e Deus. Destacou-se especialmente pela sua habilidade de penetrar no âmago do coração e da alma de seus ouvintes, revelando-lhes a luz da Torá e do judaísmo.

Gostava das pessoas e buscava aproximá-las da Torá. Em suas palestras, costumava entremear ensinamentos bíblicos como histórias sobre figuras judaicas eminentes, bem como sobre judeus simples e humildes, com numerosas boas acções.

Contava suas histórias, cheias de encanto, profundidade e sabedoria de vida de forma agradável e prazerosa, que conquistava o coração de todos os que as ouviam. Todas as vezes que visitou o Brasil empolgou a plateia com seu carisma e devoção. Neste livro foram transcritas algumas das suas melhores histórias, mantendo-se seu estilo vivo e fluente. O Rabino Shlomo Carlebach faleceu em 1994, sendo enterrado na cidade santa de Jerusalém.

“Em sua boca estava um ensinamento verdadeiro,

Em seus lábios não se encontrava injustiça;

Em paz e retidão caminhava comigo,

E fazia retornar a muitos da iniquidade.”

(Malaquias 2:6)

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