SIDUR NER SHABAT (שדור נר שבת) – Rito Sefaradi


3171748IMG 3029IMG 3030

Rabino Moysés Elmescany e Chazan David Salgado (Elmaleh), Editora Amazônia Judaica, 352 páginas (15,5×23 cm, capa dura), 2006, Jerusalém.
Informações e encomendas através do email euronigma@sapo.pt. 

***

Sinopse – Sidur Ner Shabat (שדור נר שבת) – Rito sefaradi

Sidur Ner Shabat, pertence a coleção “Ner” compilada e editada pelo Rabino Moisés Elmescany e o Chazan David Salgado. Este sidur – livro de orações judaicas – tem o texto original em hebraico e também a trandução e a transliteração para o português.

É apropriado para judeus sefaraditas, oriundos de Portugal, Espanha e do Marrocos. 

***

Prefácio

Nada seria mais gratificante para um frequentador de Sinagoga do que o prazer de poder acompanhar todas as Tefilot (Orações) sem nenhuma interrupção ou expressão do tipo: “Em que página está? O que é isso que o Chazan (Oficiante) está dizendo agora?”.

As comunidades Sefarditas Marroquinas encontraram na Sinagoga o lugar central e principal para suas atividades comunitárias. É o Beit Hakenesset (Sinagoga) quem congrega seus membros inúmeras vezes ao ano; todos os dias da semana, aos sábados especialmente, nas datas e festas religiosas e cívicas, nos chamados Iamin Noraim – Dias Temíveis – (de Rosh Hashaná até ao Iom Kipur) em ocasiões marcantes da vida como núpcias, Berith-Milá, Bar-mitzvá, Bat-Mitzvá, ocasiões menos alegres também, como nas Mishmarot de semana, mês ou ano, as Nachalot que lembram as datas de falecimento, as Hilulot de nossos sábios, Ribi Meyr Baal Hanes e Ribi Shimon Bar Yochai, enfim, uma comunidade tradicional como as sefarditas marroquinas, vivem em torno do Beit Hakenesset.

O Shabat é o dia mais importante para o judeu. As Tefilot para o Shabat são sagradas e os judeus devem fazê-las com Cavaná – com intenção verdadeira –  e para isso, devem compreender o que estão rezando, não podendo fazê-las pelas metade ou em parte. Tampouco devem estar perdidos e desconcentrados o que tornaria uma Sinagoga um lugar à toa – D-us nos livre – ou um simples local para encontros semanais.

Logo, buscamos solucionar e vencer esse obstáculo. Foi então que surgiu a ideia de elaborarmos o Sidur Ner Shabat para as Tefilot de Shabat.
Ner Shabat tem por finalidade colaborar com o leitor e frequentador da Sinagoga facilitando-o para que alcance uma leitura fluente em hebraico, ou quando desconhecer este idioma fazê-lo no transliterado ou ainda traduzido ao português, de modo a cumprir o que disse o Rei Shelomo: “Quanto maior o povo, maior a glória do Rei” (Mishlei 14,128). Atingir assim, todo o Kahal (público), tanto homens como mulheres, jovens e crianças, com o teor mais profundo de nossas Tefilot.

Para obtermos tudo isso, buscamos o melhor e mais moderno que existe no mercado em matéria de digitação electrónica e programação visual para os Sidurim (livros de reza).

Nesta primeira edição temos na leitura do hebraico uma sinalização das Nekudot, ou seja, das vogais, onde as regras são facilmente reconhecidas, pois quando aparecer uma letra que sua vocalização transforma-se, como por exemplo: a vogal Kamats, que é a letra “a”, torna-se “o”, ela aparecerá em destaque, ou seja, maior do que as outras. Mesma situação acontece com o Shevá, que é uma vogal muda, e dependendo da situação gramatical transforma-se em “e”, aparecendo em destaque, num nível maior.

Também sinalizamos a sílaba tónica das palavras paroxítonas com uma Gayá, que é um traço em baixo da letra onde há a tonicidade da palavra. A palavra que não houver sinalização deve-se pronunciá-la como oxítona, ou seja na última sílaba.

Outra característica importante deste trabalho é que as explicações no texto em hebraico estão traduzidas para o português facilitando ao leitor que lê hebraico mas não compreende, característica muito comum nas comunidades judaicas da Diáspora.
Este livro tem por Nussach – ritual de oração – o Nussach Sefaradi, da maneira como recebemos de nossos pais que aportaram no início do século XIX, provenientes em sua maioria do norte de África, de cidades de Marrocos, como Tênger, Tetuan, Salé, Rabat, Fez, Marraquexe, Casablanca e outras. A sequência é devidamente seguida de modo que tudo encontra-se no seu lugar apropriado, tendo quando necessário uma observação para eventos anuais do calendário hebraico, como Rosh Chodesh, Chanucá, Sefirat Haômer, Pirkei Abot, Limud Chodesh Nissan, Shabat Zachor e todas as Parashiot para a  Minchá de Shabat. Também adicionámos as Hashkabot e Mi Sheberach no final do livro.
Pedimos a D’us, que abençoe esta obra e que todos possam dela usufruir.

Belém, 01 de Tamuz de 5766 – Rabino Moysés Elmescany

Yerushalaim, 01 de Tamuz de 5766 – Chazan David Salgado (Elmaleh)

ZEMIRÓN – Melodias para a Mesa do Shabat


IMG 19168529

Edição Jairo Fridlin, Editora Sêfer, 96 páginas (10,5×14 cm, papel couché ), ISBN 85-85583-74-6, 2002 (2006 edição revista)

Informações e encomendas através do email euronigma@sapo.pt

***

Zemirón – com Tradução e Transliteração

Livro de bolso em papel couché, com 96 páginas, formato 10,5 x 14 cm, colorido, contendo as rezas e canções da mesa do Shabat, em hebraico, transliteração e tradução resumida.

***

Significado do Shabat

O Shabat ocupa um lugar central no judaísmo. Sua imagem e seu múltiplo conteúdo encontram sua expressão numa vasta literatura. A ideia do Shabat e sua importância são ressaltadas na Bíblia inteira, a começar pelo relato da Criação e pelo lugar que ocupa nos Dez Mandamentos, dados durante a Revelação no Monte Sinai. É o Shabat que tem sido o factor principal da característica judaica do Povo de Israel, durante os longos séculos de sua Diáspora. O judeu, tão frequentemente oprimido e perseguido por povos malvados e cruéis, voltava a ser um homem livre ao encontrar  sua paz de espírito e descanso espiritual uma vez por semana. A libertação semanal de opressão aliviava a aflição da Galut (Diáspora, dispersão), até reduzi-lo a seis dias semanais, pois que o Shabat proporcionava um intervalo.

Deveras, parece que nunca houve uma geração que precisou tanto do descanso espiritual como a nossa. As muitas atividades de hoje em dia exigem do homem um esforço mental muito maior do que no passado. Os meios de comunicação a ele apelam incessantemente, de todos os lados, e penetram na sua vida particular e pública. O ritmo de vida estonteante da nossa época sujeita o homem a uma grande pressão. Ele não tem tempo para encontrar-se consigo e com seus pensamentos, para refletir sobre seus atos e pensar sobre suas ideias e melhorar seus passos. O ser humano perde sua personalidade. Diminui cada vez mais o número de pessoas com condições de expressar opiniões próprias sem estarem influenciadas e orientadas pelos meios de comunicação. O desligamento do grande mundo e o recolhimento para o ambiente íntimo criado pelo Shabat, por um dia, podem assegurar a liberdade espiritual do indivíduo.

Extraída da Resenha das Festas Judaicas,  do Rabino Abraham Blau, tradução de Rafael Fisch, São Paulo, 1981, in “Sidur Avodat Halev”.

SHIMSHON – AS LETRAS DO ALFABETO HEBRAICO


Shim

Mónica Guttmann, Editora Sêfer, 40 páginas (18×25 cm, brochura), ISBN 85-85583-15-0, 1998

PORTUGAL: Informações e encomendas através do email euronigma@sapo.pt

BRASIL:http://www.sefer.com.br/details/235/shimshon

***

As Letras do Alfabeto Hebraico – Colecção Seferzinho

“Shimshon despediu-se de seu pai, de sua mãe, de seu irmão e de sua irmã, e saiu em busca de sua própria história. Shimshon queria encontrar a paz… onde?”

Um personagem encantador percorrendo os caminhos da paz, trazendo as mais alegres mensagens em histórias para viver, aprender e sonhar…

Shimshon é um livro adorável para crianças em fase da alfabetização, um delicioso convite a um primeiro contacto com o Alef-Beit, o alfabeto hebraico, traduzindo os ensinamentos dessa cultura ancestral que “vai directo ao coração das pessoas”.

Um delicioso presente de Mónica Guttmann a seus jovens leitores, Shimshon é um livro que diverte, ensina e ilumina os caminhos da imaginação.

Heloisa Prieto

***

Sobre a autora:

Nascida em São Paulo, Mónica Guttmann é formada em Psicologia, com especializações em Arte-Terapia e Arte-Educação, áreas nas quais actua. Também escreve e ilustra contos publicados em revistas diversas e livros didácticos. Além de SHIMSHON, seus outros trabalhos destinados ao público infantil são ARMANDO (1990), QUERO TE CONTAR UMA HISTÓRIA (1993) e SEMENTES DE CARINHO PARA SEU NINHO (1993).

TROPICASHER – BERESHIT


Tropicasher  Bereshit

Paulinho Rosembaum, 71 páginas, 2012

PORTUGAL: Informações e encomendas através do email euronigma@sapo.pt

BRASIL: http://www.sefer.com.br/details/12240/tropicasher-bereshit

TROPICASHER: http://www.tropicasher.com.br/

***

Tropicasher – Bereshit

Paulinho Rosenbaum brinda o público com seus comentários bem humorados sobre as porções semanais da Torá, trazendo pensamentos e reflexões de alguns dos maiores Gueonim (gênios) do pensamento judaico, com arte espiritual e muita criatividade.

Tropicasher é uma receita espiritual que mistura conceitos, situações, ideologias, idiomas, crônica social e uma pitada de humor para dar um sabor todo tropical à sua narrativa.

***

Sobre o Autor:

Paulinho Rosenbaum, nasceu em São Paulo e foi criado nos Estados Unidos do Bom Retiro, de onde partiu para Israel, a Areia que Virou Mel, onde tornou-se Bacharel em Sociologia, Antropologia e Ciências Políticas. Sua mania de misturar Judaísmo, Brasil e Humor nos trabalhos universitários, levava um colorido especial às dissertações. Sua tese em Ciências Políticas, escrita em 1984, sobre a eventualidade de Brasil e China se tornarem o fiel da balança político-econômica mundial num prazo de trinta anos, lhe rendeu um 90 pela beleza e claridade da apresentação. O professor em questão, apenas não lhe deu 100 porque achou a tese fantasiosa demais.

Nesta obra, Paulinho brinda o público com seus comentários bem humorados sobre as porções semanais da Torá, trazendo pensamentos e reflexões de alguns dos maiores Gueonim (gênios) do pensamento judaico, com arte espiritual e muita criatividade. Tropicasher é uma receita espiritual que mistura conceitos, situações, ideologias, idiomas, crônica social e uma pitada de humor para dar um sabor todo tropical à sua narrativa.

Se fosse você, eu lia.

Paulinho Rosenbaum

O ANO JUDAICO ILUSTRADO


O Ano Judaico123

Danny Wool e Yelfim (Chaim) Yudin, Editora Sêfer, 92 páginas (21×28 cm, colorido, capa dura), ISBN 85-85583-77-4, 2007

Informações e encomendas através do email euronigma@sapo.pt

* * *

O Ano Judaico Ilustrado

Livro sobre as festas judaicas, ricamente ilustrado, em capa dura, formato 21 x 28 cm, indicado para crianças e adolescentes (mas que os adultos adorarão conhecer, pois ensina muitos detalhes interessantes sobre cada data do calendário judaico).

Cada festa é tratada em um capítulo separado por meio de informações sobre sua origem e contexto histórico, conceitos ligados a ela, histórias que ilustram sua essência e os costumes para cada ocasião.

Esta obra é uma edição internacional (já disponível em hebraico, inglês e russo) e foi diagramada e impressa em Israel. Já está adoptada em todas as escolas judaicas do Brasil e de Portugal.

* * *

Prepare-se para passar um ano inteirinho com Beto e Debi, explorando e descobrindo tudo sobre o calendário judaico.

Rico em conteúdo, divertido e interessante, O ANO JUDAICO ILUSTRADO dá vida e ritmo aos meses judaicos, tornando-os envolventes para toda a família.

Por meio das bem-humoradas perguntas e respostas de Beto e Debi e de uma selecção criteriosa de contos e histórias, as crianças aprenderão brincando tudo sobre as festas judaicas e seus costumes.

Ilustrado e editado com raro requinte, O ANO JUDAICO ILUSTRADO é um meio original e lúdico de aprender sobre a história, as ideias e as práticas que tornam as festas judaicas uma experiência de vida enriquecedora e significativa.

* * *

Introdução

Se o intuito da publicação do Livro do Shabat (pela mesma editora de Israel e, em breve, também em português) era o de introduzir as crianças judias ao conceito do “tempo judaico”, este livro, por sua vez, foi projectado com a finalidade de explorar esse tempo em todos os seus aspectos históricos, culturais, éticos, literários e espirituais.

Os primeiros passos nesta direcção foram dados com a introdução do conceito da semana judaica, com a porção da Torá nos fornecendo uma narrativa semanal de histórias e leis, culminando no glorioso palácio que chamamos de Shabat.

Agora, neste livro, mapeamos todo o calendário com a intenção de fornecer o conhecimento, os sentimentos e as ideias profundas que envolvem cada dia sagrado do ano judaico. O objectivo deste livro é deixar de lado os meses com os quais estamos mais familiarizados – de janeiro a dezembro – e aprender o ritmo dos nossos próprios meses hebraicos – de Tishrei a Elul.

Chaim Nachman Bialik, o grande poeta nacional judeu do século passado, escreveu certa vez um artigo para justificar a celebração de Chanucá como um evento nacional, além do significado espiritual que essa festa representa para nós, judeus. Nesse breve artigo, a fim de elucidar as festas judaicas, ele usa uma metáfora com a qual qualquer judeu é capaz de se identificar. Bialik compara nossas celebrações – tanto as alegres quanto as tristes – a montanhas no tempo, cuja função é servir de testemunhas das erupções vulcânicas e dos terramotos que ocorreram anteriormente em nossa história. Esses eventos cataclísmicos foram tão potentes na época em que ocorreram que deixaram vestígios permanentes na história de nossa gente. A cada ano, quando atravessamos essas “montanhas”, elas nos remetem aos eventos do passado, aos anos em que nos formávamos como povo. Nesse trajecto, é possível perceber colinas menores que testemunham outros momentos dramáticos da nossa história, de natureza similar e de significado idêntico às experiências que vivenciamos no momento actual.

Desde o tempo de Bialik, novos capítulos foram escritos em nossa história e dias especiais para comemorar esses eventos foram criados. As gerações futuras verão novas montanhas, nas quais vivenciamos os horrores do Holocausto, o orgulho pelo estabelecimento do Estado de Israel, a trágica perda de soldados israelenses e nossa alegria pela reunificação de Jerusalém, a eterna capital do nosso povo. Iom Hashoá Vehaguevurá, Iom Haatsmaút, Iom Hazicarón e Iom Ierushaláyim fazem parte, agora, do panorama do nosso calendário.

Por tudo isso, este livro é dedicado a todas as crianças e jovens judeus do mundo inteiro que anseiam retornar ao seio do povo judeu após algumas décadas de distanciamento de suas origens e de uma certa separação espiritual. Esta obra foi escrita numa linguagem que possibilitasse a todos – inclusive a seus pais – compreender o nosso calendário, para que as nossas festas sejam as suas festas também, e nossas tradições, as suas referências culturais e religiosas. Assim, nossos costumes de alegria e sofrimento serão compartilhados e vivenciados igualmente pelos judeus de todo o mundo.

Dr. Seymour Epstein

Diretor de Educação Judaica do

Comitê Judaico-Americano de Distribuição JOINT

CHEGARAM OS EBOOKS DA SÊFER


 Caso não esteja visualizando corretamente visite

 

 

TORÁ – A LEI DE MOISÉS


Foto tora385

Rabino Meir Matzliah Melamed, Editora Sêfer, 1408 páginas (16x23x5 cm, edição de luxo), ISBN 85-85583-26-6, 2000.

PORTUGAL: Informações e encomendas através do email euronigma@sapo.pt

Sucesso de crítica e vendas: mais de 10.000 exemplares vendidos!

***

Torá – A Lei de Moisés.

Esta preciosa obra apresenta o texto hebraico da Torá ao lado de sua tradução para o português.

Mantendo intactas as interpretações dos comentaristas clássicos, e inspirada no Talmud e no Midrash,  foi editada segundo as porções semanais de leitura e por capítulos e versículos, complementada por interessantes comentários e ilustrações.

Apresenta ainda todas asHaftarote as 5Meguilot.
Sem dúvida, uma jóia que deve estar presente em todos os lares.

***

A Torá como fonte de Vida
por Bernardo Lerer

O Jairo Fridlin me ligou outro dia e me pediu para escrever a respeito da nova edição da Torá. Em outras condições ficaria constrangido. Afinal, tive participação na obra. No entanto, “Cavod” maior não poderia haver. Primeiro, constar do expediente como editor de texto. Segundo, me engajar, desde o início, numa proposta de trabalho que é um pouco parte do projecto de vida de Jairo e um dos seus maiores desafios profissionais como editor.

Bem que meu amado pai Menachem Mendel HaCohen z”l sempre perguntava em idish – porque em idish tinha mais sabor – a mim e aos meus irmãos David e Isaac quando teimávamos com alguma coisa: “Onde é que está escrito? Respondam-me, onde é que se lê isso”. A referência óbvia era: se não está escrito na Torá, não havia porque insistir. Até hoje valho-me desta pergunta e abuso da resposta.

De fato, a Torá encerra o principal que são os ensinamentos sobre a vida, o relacionamento entre os homens, os princípios da Verdade, os conceitos de Justiça, os valores da Liberdade, a questão da honra, da dignidade, não necessariamente nessa ordem. As gerações se encarregaram de construir o acessório.

Jairo colocou tudo isso nessa edição da Torá com cerca de 1400 páginas de grande apuro gráfico, uma feliz distribuição do texto bíblico que facilita sua leitura e a compreensão de seu significado pelo destaque dado a exegese. A obra foi impressa em um papel especial, pouca coisa mais espesso que o conhecido papel bíblia e cujo manuseio contínuo não vai danificá-lo. O texto em hebraico foi composto em Israel a partir de uma nova família de fontes desenvolvida por artistas gráficos israelitas e adquirida à renomada Editora Vagshal.

Esta edição da Torá é uma edição revista, ampliada e melhorada da Lei de Moisés, de autoria do rabino Meir Matzliah Melamed z”l, primeira e única tradução judaica literal do Pentateuco editada no Brasil, em 1962. A Torá da Editora Sêfer incorpora os comentários originais do rabino Matzliah, tanto da edição brasileira como da espanhola, e ainda as interpretações do rabino Menachem Diesendruck z”l publicadas nos seus famosos “Sermões”, além de comentários elaborados pelo próprio Jairo, baseados nos clássicos de Rashi, Maimônides, Nachmânides e outros. O livro apresenta didácticas ilustrações dos utensílios do Tabernáculo e um mapa da região no período bíblico.

Embora suspeito, posso garantir que o resultado alcançado é magnífico e capaz de impressionar leigos e estudiosos pela forma e principalmente pelo conteúdo. Isso talvez explique os três anos de trabalho para fazer chegar às mãos de leitores ávidos, ansiosos por conhecer e se aproximar da fonte primeira e original da sabedoria judaica. Ao contrário: acho mesmo que valeu a pena esperar por este livro que a modéstia de Jairo Fridlin não o impede de querer transformá-lo num monumento da cultura judaica no Brasil, fruto de uma paixão genuína pela Torá e seus ensinamentos.

Para não cometer erros, li e reli cada linha várias vezes. Aprendi e reaprendi nas lembranças das aulas de “Tanach” e me convenci de duas certezas: 1) mais uma vez meu honrado pai tinha razão; e 2) a leitura da Torá explica porque as coisas são do jeito que são.

***

Valeu a pena esperar
por Sheila L. Fridlin

Quem, como eu, acompanhou este projecto passo a passo, desde a concepção inicial, as reuniões, os incontáveis interurbanos para o Rio, Belém, Porto Alegre, e principalmente as muitas noites insones, madrugadas e fins-de-semana dedicados a elaboração deste trabalho, agora preciso dizer com muita alegria e porque não, orgulho! A Sêfer acaba de lançar o seu projecto mais ousado: a Torá. Ousado porque é inovador em tudo o que lhe permite ser.

Quem já conhece os trabalhos do Jairo sabe que esta não é apenas mais uma tradução da Torá; ela brinda o leitor com um texto envolvente e repleto de comentários enriquecedores, colectados a partir dos textos dos rabinos Matzliah e Diesendruck e de dezenas de outros livros que amanheciam espalhados em sua mesa de trabalho.

Gostaria de dividir com vocês a emoção que sentia quando Jairo, empolgado, lia para mim diversos trechos, pedindo a minha opinião, e posso lhes afirmar que os bastidores desta obra são uma história a parte, digna de um novo livro.

É isso aí, Jairo, parabéns pelo resultado e pela missão cumprida!

É com imensa satisfação que a Editora Sêfer apresenta ao público brasileiro e português, judeus e não judeus, “a Torá que pôs Moisés diante dos filhos de Israel “!

BÍBLIA HEBRAICA – TANACH


Bíblia

Edição de David Gorodovits e Jairo Fridlin, Editora Sêfer, 880 páginas (14x21x3 cm, capa dura de luxo, papel scritta branco 44 gr), ISBN 85-85583-73-8, 2006.

EUROPA: Informações e encomendas através do email euronigma@sapo.pt

Sucesso de crítica e vendas: mais de 15.000 exemplares vendidos!

* * *

A Editora Sêfer apresenta a tradução para o português da Bíblia directamente do hebraico e à luz do Talmud e das fontes judaicas.

Apresentada apenas em português, mostra a forma como os judeus lêem e entendem o texto bíblico há milhares de anos. De certa forma, isso explicará por que os judeus são como são, em que se baseia a fé judaica ancestral e, talvez, o segredo da sua existência ao longo da história.

Para os leitores não-judeus, a leitura de certas passagens causará alguma surpresa, e isso os fará ver a Bíblia com outros olhos, a partir do contexto judaico original da mesma e sem as “interferências” operadas em certas passagens polémicas no decorrer dos tempos.

São 880 páginas em papel Scritta branco 44 gr. (o que dá uma espessura de apenas 3 cm) e capa dura de luxo.

* * *

Os livros que compõem a BÍBLIA HEBRAICA são:

Torá
Génesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronómio

Profetas
Josué, Juízes, Samuel, Reis, Isaías, Jeremias, Ezequiel e Os Doze (Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Mihá [Miquéias], Nahum, Habacuc, Tsefaniá [Sofonias], Hagai [Ageu], Zacarias e Malaquias)

Escritos
Salmos, Provérbios, Jó, Cântico dos Cânticos, Rute, Lamentações, Eclesiastes, Ester, Daniel, Ezra- Neemias e Crónicas

* * *

Inédito, um Tanach em português!
por Bernardo Lerer 

Jairo Fridlin, da Editora Sêfer, já pode respirar aliviado: dois anos depois de iniciada, está pronta a primeira edição completa do Tanach, isto é, a Bíblia judaica, em português. Ele realiza “um sonho antigo, pois os judeus falam português há pelo menos mil anos e a única versão do Tanach numa língua próxima da nossa é de 1553, editada em Ferrara, na Itália, mas em ladino. Os judeus não tinham autorização para traduzi-la para o português”, conta Jairo, que editou dezenas de livros de oração, de reflexão, para crianças, leis sobre cashrut, etc.

A versão em português do Tanach terá 880 páginas, capa dura de luxo e uma lombada de apenas dois centímetros e meio, porque empregou-se o chamado papel bíblia, cuja folha pesa apenas 44 gramas. O livro é uma obra colectiva. Ele o traduziu junto com David Gorodovits, do Rio, e teve a revisão técnico-religiosa dos rabinos Marcelo Borer, Daniel Touitou e Saul Paves, e dos professores Norma e Ruben Rosenberg, Daniel Presman e Marcel Berditchevsky.

O livro vai se destinar aos alunos das escolas judaicas e ao público em geral.

* * *
Entrevista com JAIRO FRIDLIN:

Quais as novidades desta edição?
A maior, sem dúvida, é seu “jeito” judaico, baseado e influenciado pela visão do sábios do Talmud e nas demais fontes judaicas dos últimos 2.000 anos. O uso dos nomes hebraicos – tanto dos personagens como dos lugares – torna o conjunto da obra mais interessante, porque usamos o “ben” para indicar a filiação (ex.: Avner, filho de Ner, virou Avner ben Ner). Quanto aos lugares, é possível entender onde que se passa pois esses pontos são visíveis no mapa hoje. Na grafia, usamos o H sublinhado para representar as letras Chet e Chaf, ao invés do tradicional CH. Acredito que o resultado seja bom. O público vai decidir. Embora seja apresentada convencionalmente, em capítulos e versículos – cuja origem não é judaica, mas teve que ser “oficializada” devidos aos recorrentes debates inter-religiosos da Idade Média -, tentamos demonstrar como é a divisão judaica para evita desmembramentos e descontextualizações de alguns textos. Apresentamos também aquelas “aberturas” que aparecem no textos hebraicos. Ficamos devendo a inclusão de todo o texto em hebraico. Isso fica para a próxima.
Agora, em relação às outras traduções em português, o que mais a distingue é que nenhuma delas foi feita directamente do hebraico, idioma original da Bíblia. O que ninguém discute e é um fato.

Quais as grandes dificuldades encontradas para a tradução?
Ao não inserir notas de rodapé, tivemos de decidir entre as diferentes opções de tradução de algumas palavras, bem como optar por um dos tantos e ricos caminhos exegéticos. Às vezes, seguimos a opinião de Rashi, outras a de Nachmânides, outras de um terceiro, e assim sucessivamente. Mas sempre apoiados em alguma opinião rabínica, e de preferência, a que melhor se articulava com o texto em si, a que damos o nome de “peshuto shel hamicrá”.

Que cuidados tiveram com a tradução?
Em primeiro lugar, a clareza – para os jovens estudantes entenderem o que o texto diz. Nesse ponto, sacrificamos várias palavras – por si só correctas e precisas – por outras mais conhecidas e compreensíveis. Educadores constituíam o grupo de trabalho para dar uma forte conotação educativa à obra.
Segundo, tentamos inserir no texto algo aparentemente abstracto mas cuja ausência é possível sentir em outras traduções: o olhar judaico, o gosto judaico, o som judaico; o estilo judaico, enfim.
Além disso, tentamos extrair do texto certas influências externas que se incorporaram a ele, às vezes intencionalmente, o que o distanciava do original. Um exemplo é traduzir Shabat por “dia de descanso”, que amanhã poderia vir a ser o domingo… ou traduzir a palavra Toráh apenas como Lei, quando sabemos que ela é muito, muito mais que isso.
Raramente, e entre parênteses, inserimos palavras que complementam o texto, ou que o comentam, ou que identificam determinados personagens a que o texto faz referência. Isso poderá evitar que certas passagens sejam relacionadas a quem não de direito. Nos Profetas maiores e particularmente em alguns dos Escritos, não nos prendemos mais do que o necessário à letra do texto mas tentamos captar e transmitir sua mensagem de forma bem clara, como anteriormente na edição do livro dos Salmos. Nossa intenção é que o leitor se emocione com o texto, vibre e se envolva com a leitura. Neste caso, a tradução literal e “burocrática” seria um erro.

De que fontes se valeram para a tradução?
Primeiro, baseamo-nos na versão em hebraico do Tanach conhecida como “Kéter Aram Tsová” (ou Alepo), reconhecida como a mais fiel e autêntica, e que remonta à época de Maimónides.
Consultamos traduções para o inglês, espanhol, francês – e mesmo português – como fontes de comparação e apoio, mas no apoiamos principalmente nos comentaristas clássicos do Tanach , conforme relacionado no livro, mencionando até a época em que viveram.

Por que uma tradução para o português?
Porque havia essa carência e, em algum momento, alguém teria de fazê-la. O Tanach é a base de todo o “edifício” do judaísmo. Todos os demais livros se relacionam a ele. E é triste e doloroso constatar que poucos de nós tivemos a oportunidade de conhecê-lo. Eu mesmo, no início de meus estudos, sofri para entender muitas passagens. Talvez agora, disponível uma tradução judaica para o português, mais pessoas se interessem em conhecer e estudá-lo com a profundidade que ele merece!

Qual o significado desta obra?
Para mim, é a maior de todas e tantas contribuições judaicas para a Humanidade. Ela é a ponte que poderá tornar o mundo uma grande família de povos e, à luz de seus ensinamentos, aprenderá, um dia, a se respeitar e a viver de forma harmónica e em paz, como nos ensina aquela famosa profecia do lobo e do cordeiro, de Isaías. Ela é o livro mais importante da cultura judaica e o que mais profundamente influenciou a civilização ocidental. Graças a ela, nos deram, aos judeus, o título honorífico e o devido respeito por sermos “o povo do livro”. Pois devemos assumir esta condição, também em português.

O texto foi traduzido na ordem directa, ou tal como se lê no original?
Onde possível, tentamos colocar na ordem directa. Ao invés de “E falou o Eterno a Moisés”, adoptamos o “E o Eterno falou a Moisés”. Mas em trechos dos Profetas e dos Escritos, o estilo do texto exigia que mantivéssemos a forma indirecta.

Quem já se mostrou interessado nela?
Primeiramente, as escolas judaicas; creio que logo as famílias judaicas também se interessarão por uma obra tão importante e fundamental para a identidade judaica. O público não-judaico também está ansioso por conhecer a forma como nós, judeus, lemos e entendemos a Bíblia.

A edição inclui a exegese do texto bíblico?
Apenas parcialmente, pois não existe tradução sem exegese. Em outras palavras, a própria tradução é, em certa medida, uma exegese.


Caderno 2- CULTURA-  de O Estado de S.Paulo- D5 22-1 2006

Bíblia Hebraica, a nova versão que não é uma redundância

Grupo de trabalho que teve à frente o editor Jairo Fridlin traz a especialistas mais um elemento complicador e enriquecedor

Moacir Amâncio

Existem várias e boas traduções da Bíblia em português. Uma grande tradução é aquela de João Ferreira de Almeida (a fiel), pela qualidade literária. A Bíblia de Jerusalém é uma das versões autorizadas para uso em pesquisa, etc. Católicos ou protestantes, cada um conta com a sua Bíblia, com o objectivo de atingir a verdade do texto original. No Brasil, onde existe vida judaica organizada há cerca de 150 anos, tinham aparecido as versões do Pentateuco (Torá) feita por Matsliah Melamed (Sêfer) e A Torá Viva (Maayanot). Faltava a parte complementar do conjunto, que forma a Bíblia Hebraica: Profetas e Escritos.

A questão que se colocava: o que fazer quando se tratava de estudar essa literatura específica numa escola judaica, antes do conhecimento suficiente do hebraico, ou quando um judeu pretendia ler a Bíblia Hebraica em português? Era preciso recorrer às traduções em voga e adaptá-las à linha de pensamento exigida. Por isso o editor e tradutor Jairo Fridlin reuniu um grupo de tradutores, educadores e rabinos para resolver o problema – sem entrar na questão de que, diante do texto bíblico original, o leitor se apoia em comentários e, no caso de estudiosos, em pesquisas linguísticas. O resultado é esta edição da Bíblia Hebraica em português. Pode ser vista como serviço prestado a fiéis e uma contribuição para o diálogo entre as religiões, que se iluminam reciprocamente – os especialistas têm agora mais um elemento complicador e enriquecedor.

Fridlin e David Gorodovits se encarregaram da tradução, enquanto Uri Lam (responsável por tornar acessível em português O Guia dos Perplexos, de Maimónides) secretariou o grupo, e os demais se encarregaram de revisão técnica e outros tipos de assessoria especializada. Para chegar ao texto final, a equipe utilizou-se dos grandes exegetas antigos, que incluem desde rabinos talmúdicos e o tradutor aramaico Ônkelos, até os medievais Shelomô Itshak (Rashi), Ibn Ezra, Nahmânides, Maimônides, dom Isaac Abravanel, etc. Possíveis diferenças com outras versões nem sempre são tão claras e podem obedecer a critérios eruditos e sutis, com implicações interpretativas em diversas áreas. Um exemplo está em Êxodo, 21:8, que talvez dê ideia da complexidade em pauta, pois, como sabemos, a Bíblia é muito difícil em qualquer idioma.

Trata-se do caso em que um pai vende a filha como serva e as consequências do ato. Diz o versículo: ‘Se for má aos olhos de seu senhor para consagrá-la para si, ou remi-la, não poderá vendê-la (nem o pai) a outro homem após tê-lo servido e não havê-la desposado.’ O nó aqui está em ‘outro homem’. O original hebraico refere-se a ‘povo estranho’, o que é observado por Ferreira de Almeida e pela Bíblia de Jerusalém. No entanto, Ônkelos traduz para ‘outro homem’, assim como rabinos antigos entendem o versículo. Nada aqui é pacífico e não é este o espaço para análises do ponto, mas polémicas à parte, os tradutores da Bíblia Hebraica procuraram as próprias tradições, que se explicam nelas mesmas.

Os caminhos de contrastes e confrontos sugeridos a partir daí são suficientes para estimular o estudo. Não há motivo para se considerar esta nova tradução uma redundância, diante da quantidade de traduções existentes. Até porque, como enfatizam os editores, não se conhece até hoje um esforço semelhante em português, mesmo no passado da Península Ibérica anterior à inquisição e à expulsão dos seguidores de Moisés. Além disso, qualquer texto só pode ser lido à luz do momento presente, e as análises mais conclusões dependem do enfoque do leitor. Por esses motivos, a publicação não pode passar sem registo – ela tem evidente sentido histórico.

Moacir Amâncio é autor de Contar a Romã (Globo)


Revista 18

Centro da Cultura Judaica – Casa de Cultura de Israel

AnoIV– número 17 –Setembro / Outubro / Novembro2006ISSN1809-9793

Uma nova Bíblia em português

Nova tradução da Bíblia hebraica, directamente do idioma original, chega ao leitor de língua portuguesa com a intenção de reparar distorções e de incluir a tradição e sapiência judaica. O trabalho, porém, é apresentado de forma monolítica, sem notas nem comentários, ou seja, é uma entre muitas interpretações possíveis das escrituras. Por Suzana Chwarts

A publicação da Bíblia hebraica por David Gorodovits e Jairo Fridlin – “baseada no hebraico e à luz do Talmude e das fontes judaicas” – traz ao leitor brasileiro o texto bíblico a partir de uma perspectiva judaica, segundo escrevem, em seu prefácio, os editores deste empreendimento. Ou seja, trata-se de um livro que procura harmonizar literaturas distintas, que perfazem uma trajectória de dois milénios: o texto hebraico massorético, o Talmude e os comentários dos sábios de Israel. David Gorodovits é referência de militância e erudição judaicas na comunidade do Rio de Janeiro, onde actua há 50 anos. Jairo Fridlin, que estudou na yeshivá de Petrópolis e na yeshivá Netiv Meir, em Jerusalém, é o responsável pela tradução para o português do Sidur e do Machzor (livros de orações), editados pela Sefer.

Os editores e tradutores responsáveis por esta tradução para o português da Bíblia hebraica investem na compreensão dos seus conteúdos, e o fazem a partir de dois pressupostos teológicos. O primeiro deles é o de que a Bíblia é fiel à verdade de forma absoluta, e o segundo, de que ela revela o caminho que conduz à “harmonia, à paz universal e ao amor sem cobiça”. Para apreendê-los, no entanto, explicam que urge incorporar ao texto bíblico os ensinamentos do Talmude e dos exegetas. Seu objectivo, assim, parece ser a ampliação e o aprofundamento da consciência contextual, dotando o texto bíblico de uma dimensão suplementar, ancorada na tradição de sapiência de Israel, isto é, de uma sabedoria produzida em tempos e espaços diversos, e que jamais foi encerrada no dogma, e por isto mesmo destacando-se, entre todas as teologias, por sua polifonia e por sua liberdade de inquirir o texto bíblico em suas várias nuances.

Tal diversidade reflecte-se na relação dos “principais exegetas consultados”, apresentada pelos editores, e da qual cito apenas alguns nomes como o Rashi, exegeta que priorizou o pshat (sentido contextual); Guersônides, filósofo, matemático e astrônomo; Nahmânides, cabalista e místico; Maimônides, racionalista; Abravanel, liberal; Gaon de Vilna, dogmático. O acesso a esta sabedoria não está em notas de rodapé ou excursos no final da obra, mas, segundo afirmam os editores, no próprio corpo do texto bíblico, através de um sistema criterioso de substituição ou inserção de terminologia. Os critérios, no entanto, permanecem ocultos ao leitor que, sem dúvida alguma, se beneficiaria imensamente da sua exposição, ainda que sucinta.

Da observação do texto fica claro que os tradutores buscam uma relação interactiva e orgânica entre as diversas fontes, uma fusão harmoniosa – um verdadeiro trabalho midráshico, isto é, interpretativo, e direccionado às gerações actuais – mas que, inevitavelmente, resulta num texto desigual, que intercala trechos fiéis à tradição massorética com outros, expandidos ou modificados pela exegese, não obstante o cuidado dos tradutores em demarcar suas interferências com parênteses e travessões. Talvez seja este exactamente o anseio dos editores que, visando intensificar o potencial redentor do texto, desdobram-no até atingir os limites do ideológico e do teológico, no intuito de transformar a leitura da Bíblia hebraica numa experiência judaica singular, que “instile em seus leitores o desejo de absorver seus ensinamentos e passar a vivenciá-los na prática”.

O texto que lhes serviu de base é o do códice de Alepo, também conhecido como keter aram tsova, do século 10 a.e.c., e um dos principais códices massoréticos da tradição Ben Asher. Seu texto consonantal foi escrito por Shlomo ben Buyaa e, segundo a tradição, Aaron ben Asher se encarregou da vocalização, acentuação e notações massoréticas. Em Dezembro de 1947, durante o pogrom perpetrado contra a comunidade judaica de Alepo, na Síria, a sinagoga, onde estavam guardados os manuscritos, foi incendiada, e apenas 295 páginas restaram das 487 páginas originais. O códice foi trasladado a Israel, onde está até hoje, tornando-se objecto de estudo de renomados biblistas, como Moshe Goshen-Gottstein, que considerou consistente a afirmação tradicional de que este seria o modelo de Bíblia que Maimónides teria conhecido no Egipto e empregado na elaboração de sua obra mais relevante para o judaísmo – o mishne torah. O códice de Alepo foi, recentemente, a fonte de várias edições modernas da Bíblia hebraica, inclusive de duas edições de Mordechai Breuer e da consagrada Keter Yerushalaym, impressa em Jerusalém, e baseada na caligrafia e na configuração do códice, que, aliás, Fridlin e Gorodovits adoptam em sua Bíblia hebraica, preservando as aberturas e espaços em branco do texto, a grafia de certas palavras e a divisão de alguns versículos.

Os tradutores deixam claro, no entanto, que sua versão da Bíblia hebraica apenas “se baseia” no hebraico e que o códice de Alepo apenas “norteia” seu exercício de tradução. Por outro lado, a apresentação do livro cria uma grande expectativa para o leitor: a de que será conduzido, por intermédio da tradição exegética judaica, a uma compreensão mais profunda da mensagem bíblica, como o exemplo citado pelos tradutores:

“No primeiro livro do tanakh (o Pentateuco), quando Deus coloca o homem no Jardim do Éden, um quadro vívido do que deveria ser a ecologia universal nos é apresentado: o homem e todos os componentes da natureza convivendo em equilíbrio e harmonia. No entanto, o ser humano não consegue manter o comportamento que lhe é determinado, e em consequência disto é obrigado a deixar o Paraíso. ‘Com o suor de teu rosto comerás pão’; a sentença proferida pouco antes de sua expulsão é muitas vezes interpretada como um terrível castigo, mas o judaísmo a entende como uma nova oportunidade oferecida ao homem pelo Criador, em Sua infinita bondade, para que ele, com seu trabalho, esforço e mérito, reconstrua esse mundo ideal.” Mas ao lermos os últimos versículos do capítulo 3 do Livro do Génesis, que narram a expulsão de Adão e sua mulher do Paraíso, encontramos somente as palavras aterradoras de Deus, e esta visão judaica da cena da expulsão – redentora e particularmente maravilhosa – permanece inatingível, pois é impossível incluí-la no corpo do texto.

Já no Cântico dos Cânticos, Fridlin e Gorodovits alinham a leitura e a compreensão da mais famosa poesia de amor do mundo à exegese, que a considera uma alegoria do amor entre Deus e Israel, identificando o locutor de cada fala: Deus (nas falas do amante); Israel (nas falas da amada); as nações (nas falas das filhas de Jerusalém) e o Tribunal Celeste (na fala dos irmãos). Tais interferências de fato modificam a leitura do texto, e convidam à reflexão.

Em diversas instâncias o texto nos remete directamente à versão exegética, transformando alusão em definição: o “servo sofredor”, ao qual se refere o profeta Isaías, é prontamente identificado como o povo de Israel. Outras vezes, a tradução, fiel ao hebraico, corrige interpretações de outras teologias que corromperam seu sentido original e, consequentemente, a identidade do texto como um todo. Assim, lemos que “a moça grávida dará à luz um filho e o chamará Imanuel” em Isaías 7:14, e não a “virgem”, conforme uma tradução errónea, porém corrente, do termo hebraico ‘almah’.

A equipe de tradutores e revisores se esmerou na clareza do texto em português, que flui livre dos arcaísmos e termos rebuscados característicos de tantas outras traduções. É sempre relevante ter em mente que a oralidade é um componente significativo da Bíblia hebraica, que é lida em voz alta várias vezes por semana na liturgia judaica, e esta qualidade foi respeitada na tradução, acentuada, inclusive, pela preservação dos nomes próprios e de lugares no hebraico original. Surpreende apenas, na bibliografia, a ausência de dicionários bíblicos especializados, m instrumento indispensável no exercício da tradução. Os estudos etimológicos do hebraico bíblico revelam camadas de significado que iluminam o texto e aguçam sua compreensão.

Um exemplo: em Gênese 1:2 lemos “a terra era sem forma e vazia, e havia escuridão sobre a face do abismo, e o espírito de Deus pairava sobre a face das águas”. Os tradutores optaram pelo verbo “pairar” para traduzir o hebraico merahefet, assim como a maior parte das traduções convencionais. O radical rhf, porém, do qual merahefet é derivado, traz a ideia básica de movimento, deslocamento e vibração, um sentido que o hebraico compartilha com o ugarítico (língua semita ocidental, da mesma família do hebraico). Na própria Bíblia hebraica, este verbo figura outras duas vezes, em Deuteronômio 32:11, quando descreve uma águia que se agita em torno de seu filhote, e em Jeremias 23:9, quando o profeta faz referência ao tremor dos ossos. O verbo em Gênese 1:2 associado a ruah, vento, sopro, espírito divino, reforça ainda mais a ideia de que a superfície das águas estaria agitada: a presença divina gerando movimento e dinamismo e alterando a natureza informe e estática do caos primordial.

São oportunidades como esta – de esclarecer a mensagem bíblica através do estudo de sua língua original, assim como a de aprofundar sua percepção através dos ensinamentos dos sábios da tradição judaica – que movem estudiosos como Fridlin, Gorodovits e o grupo de revisores da obra, composto por professores do ensino judaico e rabinos, e que constituem a tónica e a razão de ser de uma Bíblia como a que temos hoje em mãos.

Trata-se de uma obra que vem preencher uma lacuna na bibliografia judaica brasileira, e incorporar-se à herança de Israel – uma herança que vem sendo edificada, ao longo dos séculos, por aqueles que firmam um pacto de leitura com a Bíblia hebraica e com sua palavra, sempre aberta à expansão e à descoberta.

ENCICLOPÉDIA DO HUMOR JUDAICO


Capinha humor novo cópia

Henry D. Spalding, Editora Sêfer, 320 páginas (21×28 cm, capa flexível), ISBN 85-85583-08-8, 1997 (2ª edição)

PORTUGAL: Informações e encomendas através do email euronigma@sapo.pt

***

Dos tempos bíblicos à era moderna

39 Capítulos recheados com o melhor do humor judaico em todos os tempos.

Compilado por um expert no assunto e brasileiramente ilustrada, esta obra transforma-se, desde já, em um dos melhores livros de humor ja publicados em português.

O autêntico humor judaico espelha a história do povo judeu. É um reflexo das suas alegrias e angústias, anseios e desalentos, e daqueles períodos tão breves de bem-estar económico e social. Ele expressa suas infindáveis aspirações por um mundo no qual justiça, misericórdia, compreensão e igualdade prevalecerão, não só para si mas para todos os povos.

Nesta abrangente enciclopédia, o autor não apenas apresenta as anedotas mais hilariantes já contadas, como também coloca-as na perspectiva histórica adequada.

Em seus 39 empolgantes capítulos desfilam os mais pitorescos personagens do folclore judaico ao longo de quarenta séculos: desde os tempos bíblicos até a era atómica, de um modo que ilustra os principais pontos da história do povo judeu, retratando as vicissitudes da vida judaica na maioria dos países onde este tem vivido.

Começando pelo sugestivo índice de Henry Spalding, passando pelas criativas ilustrações de Ivo Minkovicius, até o bem-humorado glossário de Dorothy Rochmis, a Enciclopédia do Humor Judaico mostra o excepcional senso de humor do povo judeu, assim como sua disposição de fazer graça de si mesmo.

Incrível visão interior de Spalding do comportamento e do carácter do judeu reflecte-se em sua excelente e reveladora escolha de histórias e anedotas. Todas são apresentadas de um modo delicioso, expressando, efectivamente, a essência deste povo notável. Os pais, médicos, advogados e shnorers do livro – todos se tornam notavelmente vivos, não como estereótipos mas como povo.

2º LIVRO JUDAICO DOS PORQUÊS


Capinha porques 02

Alfred J. Kolatch, Editora Sêfer, 408 páginas (14×21 cm, capa flexível), ISBN 85-85583-19-3, 1998

PORTUGAL: Informações e encomendas através do email euronigma@sapo.pt

***

2º Livro Judaico dos Porquês não é uma mera continuação, mas sim uma consequência.

No Livro Judaico dos Porquês (http://www.judaicaportugal.com/LIVRO_JUDAICO_DOS_PORQU_S/p440356_1616135.aspx), o rabino Alfred J. Kolatch havia abordado centenas de questões fundamentais sobre todos os aspectos do judaísmo – o Shabat e os feriados religiosos; as leis de Cashrut; os rituais observados nas sinagogas e os vários marcos da vida, como o nascimento, a circuncisão, Bar e Bat- Mitzvá, casamento e divórcio, morte e luto. Alguns destes temas são aqui retomados, ora explorados em maior profundidade, ora comentados de forma mais extensa ou, ainda, enriquecidos por informações totalmente novas.

***

“A resposta entusiástica que a publicação do Livro Judaico dos Porquês recebeu foi algo inesperado e bastante encorajadora. A obra respondia a cerca de 500 perguntas, mas também provocava novas dúvidas…

2º Livro Judaico dos Porquês explora alguns daqueles temas com maior profundidade e discute outros assuntos mais complexos como, aborto, conversão, controle de natalidade, inseminação artificial, transplante de órgãos, tabagismo, proselitismo, casamentos mistos, detalhes referentes à observância do Shabat e as relações de entre judeus e cristãos.”

Alfred J. Kolatch

***

Sobre o Autor:

O Rabino Alfred J. Kolatch é formado pelo Seminário para Professores e pela Faculdade de Ciências Humanas da Yeshiva University, foi ordenado rabino pelo Jewish Theological Seminary of America, recebendo em seguida o Título Doutor Honoris Causa em Teologia. De 1941 a 1948 exerceu a função de rabina das congregações de Columbia, Carolina do Sul, Kew Gardens e Nova York, e como rabino do exército dos Estados Unidos. Em 1948, fundou a Jonathan David Publishers, onde ocupa o cargo de director-presidente. Entre suas inúmeras obras publicadas destacam-se: The New Name Dictionary, The Jewish Home Advisor, Estórias da Bíblia para Crianças (lançado pela Editora Sêfer), The Jewish Childs First Book of Why, Our Religion: The Torah, Jewish Information Quiz Book, Whos Who in the Talmud, The Family Seder, This is the Torah e The Complete Dictionary of English and Hebrew Names.

%d bloggers like this: